Política

Vereadora de Salvador defende professora que falou "todes" diante de prefeito bolsonarista

Joilson César / BNews/ Arquivo
Marta Rodrigues declarou que as falas do prefeito de Cuiabá são criminosas e anti-democráticas  |   Bnews - Divulgação Joilson César / BNews/ Arquivo
Héber Araújo

por Héber Araújo

Publicado em 31/07/2025, às 16h51



A vereadora Marta Rodrigues (PT) se solidarizou com a professora Maria Inês da Silva Barbosa, mestre em Serviço Social e doutora em Saúde Pública, que foi ridicularizada pelo prefeito  de Cuiabá, Abílio Brunini (PL). O caso aconteceu durante a 15ª Conferência Municipal de Saúde de Cuiabá, e o motivo do ataque foi o uso de pronomes neutros

“Este episódio ilustra uma grave tentativa de censura à liberdade de expressão e ao direito da professora de se manifestar de acordo com suas convicções acadêmicas. Ao contrário do que foi sugerido pelo prefeito, a utilização da linguagem neutra no contexto da saúde pública visa promover um ambiente mais inclusivo e respeitoso”, disse Marta em nota. 

A irmã do governador da Bahia ainda declarou que tal ação não pode ser tolerada, chamando o comportamento do prefeito de Cuiabá de “retrocesso” e de um “desrespeito à nossa democracia”. A vereadora acusou também de que as falas de Abílio deveriam ser consideradas um desrespeito aos direitos humanos. 

A luta por um SUS mais inclusivo não pode se limitar a tratar da diversidade de gênero e identidade de gênero, mas deve estar profundamente conectada ao combate ao racismo estrutural que persiste dentro da sociedade e também no sistema de saúde”, completou ela. 

Entenda o caso

Convidada como palestrante para a Conferência Municipal de Saúde do SUS em Cuiabá, Maria Inês estava fazendo sua apresentação, quando afirmou que “a saúde é para todos, todas e todes”. Nesse momento, o prefeito da capital mato-grossense interrompeu a fala da palestrante, afirmando que sua gestão não usa esse tipo de linguajar. 

"Não vou aceitar a manifestação de pronome neutro. Se a senhora não se sentir à vontade em fazer uma apresentação que discuta a saúde de Cuiabá sem doutrinação ideológica e sem manifestação de pronome neutro, eu vou suspender a apresentação", afirmou.

Na sequência, a professora reafirmou o seu posicionamento e decidiu se retirar da apresentação. "Quando eu falo de equidade, eu tenho que falar de todos, todas e todes porque essas pessoas querem ser ouvidas. Não tenho como falar do acesso universal igualitário a todas as ações e serviços de saúde, sem me referir a todos, todas e todes. O senhor não vai precisar me retirar da sala porque eu me retiro", finalizou.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)