Política

Wagner reitera defesa e diz que não pediu “uma banda de conto” para o Banco Master

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Senador negou irregularidades e criticou atuação da PF no caso  |   Bnews - Divulgação BNEWS
Anderson Ramos

por Anderson Ramos

Publicado em 26/06/2026, às 13h47



O senador Jaques Wagner (PT) rebateu os argumentos de que ele tenha levado a crise do Banco Master para o Palácio do Planalto, após ter sido alvo de mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal na semana passada. A corporação apura uma suposta atuação dele em favor do banco no Congresso Nacional, o que ele nega. 

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Wagner afirmou que a PF tenta construir uma narrativa para tentar envolver o PT no caso e também negou que a origem da fraude do Master tenha se dado na Bahia. 

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Qual é a narrativa do Flávio Bolsonaro e do PL? ‘Tudo começou na Bahia’. Nada começou na Bahia. Quando nós privatizamos a Cesta do Povo, em 2018, o cartão [de compras do programa] foi junto. Não existia [Daniel] Vorcaro, não existia Master. O banco virou sócio do Augusto Lima em 2019, se não me engano. O cara [Flávio] pediu R$ 140 milhões [R$ 134 milhões para o filme 'Dark Horse']. Eu não pedi uma banda de conto”, argumentou. 

O ex-governador da Bahia também reforçou sua versão sobre a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões no Horto Florestal, bairro nobre de Salvador, transação apontada pela PF como contrapartida de Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro, pela atuação a favor do Master. 

“Pretendia dar um presente para minha filha nesse prédio que está em construção. A pergunta que cabe é a seguinte: por que você pediria para reservar um apartamento num prédio em construção se fosse para corrupção? Por que eu não ia pegar um apartamento novo pronto? Eu digo: "não tenho condições de comprar, ela vai ter que vender o apartamento dela para eu ajudar no resto e financiar uma parte. Eu só quero que garanta aquilo lá." Foi isso. Eu sei que é nebuloso, que todo mundo vai... Mas objetivamente, está no meu nome? Foi doada para mim alguma coisa? Nada. O caminho dos corruptos não é esse de fazer um sexo explícito. E a Polícia Federal deve ter pego isso na ligação minha para ele. Alguém, se fosse para ser um escambo, ia ligar para o cara para dizer?”, disse. 

Críticas à PF

Ao longo da entrevista, Wagner criticou a atuação da Polícia Federal durante a operação, principalmente pela divulgação de fotos com cédulas de moeda estrangeira apreendidas no apartamento onde vive em Brasília. 

Para ele, isso violou a orientação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) — que determinou que a busca e apreensão ocorresse "de forma discreta" pelo "caráter sigiloso da investigação".

"Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta", afirmou. 

Licença de liderança no Senado

Jaques Wagner também revelou o motivo que o levou a se licenciar da liderança do governo Lula no Senado. Ele admite que não tinha a intenção de entregar o posto, mas que mudou de ideia durante a conversa com o presidente Lula, na quarta-feira (24), quando a mudança foi sacramentada. 

“Era importante ter uma conversa pessoal com o presidente. Quando ele me ligou, no dia do episódio, foi primeiro para se solidarizar e, depois, perguntar se era bom continuar ou não. Eu disse que minha cabeça era não entregar [o cargo], mas ontem [quarta] fui lá conversar. Ele disse que me conhecia há 48 anos, mas que construíram uma história que eu teria que desmontar e questionou se eu teria cabeça para fazer as duas coisas [a defesa e a liderança]. Então, decidi me afastar”, afirmou. 

Para o lugar de Wagner, Lula escolheu a senadora Teresa Leitão (PT-PE). Em um comunicado nas redes sociais, ela prometeu trabalhar "para o avanço das pautas de interesse do governo e do povo brasileiro, como o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública e outras medidas voltadas ao desenvolvimento do país, à justiça social e à melhoria da qualidade de vida da população".

Onda de solidariedade

Wagner recebeu o apoio dos aliados depois do anúncio de sua saída da liderança do governo no Senado. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) elogiou a trajetória política do aliado.

“A Bahia e o Brasil reconhecem o importante trabalho realizado pelo senador Jaques Wagner na liderança do governo do presidente Lula. A experiência, o senso democrático e o dom conciliador de Wagner foram fundamentais para a reconstrução da democracia e da soberania brasileira”, escreveu o governador.

Já o colega de parlamento e presidente do PSD na Bahia, Otto Alencar, disse ao BNews que o petista foi um grande líder do presidente Lula durante três anos e afirmou que vai “estender a mão” para apoiar o amigo. 

Deputados também saíram em defesa dele nas redes sociais. "Nada vai abalar a reeleição de Lula, de Jeronimo e a sua. As mentiras não irão prosperar", escreveu o deputado federal Jorge Solla (PT). O deputado federal Zé Neto, em outro comentário, teceu elogios ao senador: "Sua liderança, honestidade, equilíbrio, grandeza de propósitos, e sentimento de grupo são sua força, seu poder e sua marca na vida pública".

A deputada Olívia Santana (PCdoB) destacou a luta contra a "extrema direita". "Seguiremos na luta contra o atraso que representa a extrema direita neste pais", comentou a comunista. Já Afonso Florence lembrou 2018: "Estamos juntos, grande Senador! Tem meu apoio e total confiança! Em 2018 foi igual. O povo baiano está contigo".

Retomada de agenda

Depois de ter passado alguns dias recluso por conta da repercussão dos mandados de busca e apreensão deflagrados pela operação da PF, Jaques Wagner deve intensificar sua agenda à reeleição na Bahia.

O ex-governador da Bahia deverá retomar eventos e viagens neste final de semana e intensificar compromissos no interior do estado, onde tem maior apoio.

Wagner deve, inclusive, participar das comemorações do 2 de Julho, data da Independência da Bahia, com aparição ao lado do presidente Lula.

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