Salvador
por Leonardo Oliveira
Publicado em 27/10/2026, às 22h23
O advogado Leonardo Brito, que acumula mais de 34 mil seguidores no Instagram e se apresenta como especialista em direito digital, foi preso pela Polinter no bairro da Pituba, em Salvador. De acordo com informações apuradas pelo BNews, o profissional acumula uma dívida de pensão alimentícia que ultrapassa a marca de R$ 200 mil. Segundo informações, durante a abordagem policial, o advogado tentou fugir.
Esta não é a primeira vez que ele vai parar atrás das grades pelo mesmo motivo. Em março de 2024, ele já havia sido detido por falta de pagamento. Além da prisão recente, levantamentos realizados pelo BNews apontam que o advogado responde a mais de 30 processos na Justiça, acumulando um histórico de suspeita de calotes imobiliários, acusações de apropriação indébita e punições disciplinares.
O caso aconteceu em março de 2024, quando, em uma publicação nas redes sociais, a mãe de um dos filhos do advogado informou a prisão dele por falta de pagamento de pensão alimentícia. “Dever cumprido. Prisão civil cumprida agora. O papai devedor de pensão está preso”, escreveu. À época, prints da publicação dela ganharam as redes sociais.
“Me testa mais nessa vida. Você tá no lugar de onde um dia eu me prometi que ia te ensinar a ser homem. E eu só assino termo de quitação depois de ter um papo sério na cadeia com você e com pix na conta”, disse a mulher em outra publicação que viralizou.
Em Feira de Santana, o advogado perdeu um imóvel, no bairro Muchila, após a propriedade ser arrematada em leilão extrajudicial pela Caixa Econômica Federal no final de 2025 por inadimplência fiduciária, ou seja, quando o devedor deixa de pagar as parcelas de um financiamento ou empréstimo que foi garantido pela transferência temporária da propriedade de um bem ao credor.
Em setembro de 2026, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) autorizou a "imediata expedição e o cumprimento de mandado de desocupação e imissão forçada" contra os ocupantes da casa.
Brito também tinha alugado um apartamento localizado na Garibaldi, em Salvador, mas logo se tornou alvo de uma ação de despejo ajuizada em junho de 2026. A locadora cobrou na Justiça um débito de R$ 13.269,18, referente a aluguéis e faturas de energia elétrica em atraso nos meses de março, abril e maio daquele ano, além de multas e juros moratórios.
Na esfera profissional, ex-clientes acusam o advogado de reter valores ganhos em ações e de forjar andamentos processuais. Em uma execução de título extrajudicial, um cliente afirma que contratou Leonardo para atuar no Juizado Especial, mas o advogado sacou o alvará da causa, no valor de R$ 67.042,87, e "não adimpliu a obrigação pactuada" de repassar o dinheiro ao cliente.
Em outro processo, uma cliente relatou ter pago R$ 6 mil em honorários para que o advogado recuperasse uma conta profissional no Instagram. No entanto, de acordo com o as provas documentais, o réu forneceu atualizações processuais falsas e indicou um número de processo que, após verificação, pertencia a terceiros e envolvia uma disputa de empresas de telefonia. Na Justiça, a cliente agora pede a restituição dos valores e indenização por danos morais.
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As infrações culminaram em punições no conselho de classe. Em março de 2025, o Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-BA publicou a "pena de suspensão do exercício da advocacia pelo prazo de 30 (trinta) dias" contra Leonardo Brito, determinando que ele devolvesse sua carteira profissional.
Procurada pelo BNews para comentar as acusações e a prisão, a defesa do advogado Leonardo Brito afirmou que não irá se manifestar neste momento.
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