Salvador

Ato na Barra pressiona Prefeitura de Salvador contra avanço imobiliário e "sombreamento" de praias

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Ativistas e moradores protestam na Praia da Barra contra empreendimentos que afetam o acesso ao sol e ao equilíbrio climático  |   Bnews - Divulgação Devid Santana / BNews
Thiago Teixeira e Rafaela Kalil

por Thiago Teixeira e Rafaela Kalil

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 22/03/2026, às 13h40 - Atualizado às 15h00



"Tirem as construções da minha praia, não consigo respirar". Essa frase, da música "Lucro", da banda BaianaSystem, resume bem a reivindicação de movimentos socioambientais que foram à Praia da Barra, em Salvador, neste domingo (22), para protestar contra o avanço de empreendimentos de grande porte do setor imobiliário.

Reunidos em frente ao Barravento, ativistas, moradores e representantes de entidades realizaram o ato "Sombreamento Zero" — que denuncia os impactos da verticalização na orla da capital baiana, empreendimentos de grande porte em áreas costeiras e seus efeitos diretos sobre o acesso ao sol, à paisagem e ao equilíbrio climático.

No Farol da Barra — tradicional ponto de contemplação do pôr do sol — o protesto transformou o espaço em símbolo de resistência ao que os organizadores classificam como "abuso imobiliário". Em entrevista ao BNews, Presidente da Associação SOS Buracão, Miguel Sehbe afirmou que o ato representa a união de diferentes frentes ambientais da cidade em torno de uma pauta comum.

Todos os movimentos ambientais de Salvador estão unidos em cima de uma mesma causa. Além da briga pelo sombreamento zero, estamos falando contra todo o abuso imobiliário que tem acontecido. Algumas construtoras predadoras ambientais devem ser execradas", disparou.

O ativista também destacou que a atuação do grupo vai além da mobilização nas ruas e inclui medidas judiciais. Segundo ele, duas ações movidas pelo SOS Buracão têm obtido resultados favoráveis, incluindo a suspensão de dispositivos legais que, na avaliação dos movimentos, flexibilizam regras urbanísticas e permitem impactos ambientais na orla.

Entre os pontos questionados está o artigo 103 da Lei de Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo (Louos), que previa aumento de até 50% no potencial construtivo em imóveis considerados degradados. De acordo com Sehbe, a norma foi suspensa por decisão judicial, o que também travou projetos imobiliários previstos para a região do Buracão.

Existe uma contradição muito grande. Ao mesmo tempo em que o município admite construções que podem gerar sombra na praia, ele próprio reconhece que o sombreamento é proibido", afirmou ao BNews.

A crítica é reforçada por outras entidades presentes no ato. Membro da diretoria da Associação de Moradores da Barra (Amabarra), Waltson Ferreira destacou o caráter coletivo da mobilização e a necessidade de pressionar o poder público.

Nossa participação é coletiva, junto com outras entidades, em um movimento contrário ao sombreamento das nossas praias. É um ato importante para chamar a atenção das pessoas e mostrar ao prefeito o nosso descontentamento com esse tipo de intervenção na orla", disse.

Segundo ele, a Amabarra atua desde 2008 em pautas voltadas à melhoria da qualidade de vida no bairro, com foco em soluções urbanas e ambientais. "A gente busca não só apontar problemas, mas trazer soluções para moradores, comerciantes e frequentadores da Barra", completou.

De acordo com os organizadores, o sombreamento já é observado em regiões como Ondina e Jaguaribe, e há risco de avanço para áreas como Rio Vermelho, Buracão e Stella Maris. O fenômeno é tratado como um problema socioambiental, com potencial de afetar desde o microclima urbano até a dinâmica econômica local, especialmente em áreas dependentes do turismo.

A campanha "Sombreamento Zero" integra o Observatório do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), sob coordenação da 1ª Promotoria de Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo. Além de atos públicos, a iniciativa aposta em estratégias de comunicação e articulação comunitária para ampliar o debate e pressionar por mudanças na política urbana da cidade.

Classificação Indicativa: Livre

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