Política

Integrante do SOS Buracão critica demolição de casa em pleno Carnaval: "Querem matar a galinha dos ovos de ouro"

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Integrante do SOS Buracão critica demolição durante o Carnaval e a falta de aviso aos moradores da Rua Barro Vermelho  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Vídeo
Lucas Pacheco e Yuri Pastori

por Lucas Pacheco e Yuri Pastori

redacao@bnews.com.br

Publicado em 20/02/2026, às 11h26 - Atualizado às 11h26



A integrante do SOS Buracão, Guiomar Germani, classificou a demolição de um casa localizada na Rua Barro Vermelho, nas proximidades da Praia do Buracão, no Rio Vermelho, pela construtora OR, ligada à antiga Odebrecht, durante o período do Carnaval como uma "brutalidade".

Em entrevista ao BNEWS, nesta sexta-feira (20), ela criticou a falta de transparência no processo. A demolição foi autorizada pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), mas a Justiça Federal, por meio de uma ação civil pública, suspendeu tanto a construção dos espigões (prédios de até 17 andares), quanto a demolição das casas, na última quinta-feira (19). 

O Ministério Público Federal (MPF), por meio da procuradora Bartira de Araujo Goes, já tinha solicitado, no último dia 12 de fevereiro, a interrupção de qualquer obra no local, o embargo das demolições e a suspensão dos alvarás que autorizavam os serviços.

"Eles começaram isso no dia 9 de fevereiro. Já havia o boato que eles iam desmanchar a casa no Carnaval, mas fomos surpreendidos com a brutalidade. (...) nove horas da manhã, numa terça-feira de Carnaval, feriado nacional, começaram a demolir. Ninguém da rua foi avisado. Isso mostra o desrespeito, o descaso e o descompromisso com essa empreiteira e com a cidade. Mostra o caráter de quem quer construir isso na nossa praia", afirmou.

Segundo Guiomar, após a derrubada das estruturas, o terreno ficou abandonado e trouxe novos problemas para a vizinhança: "Na terça-feira, em duas horas, demoliram tudo, puseram o tapume, a placa e foram embora. O terreno está cheio de escombros e tem uma piscina com água. Faz parte da decisão do juiz que eles têm 30 dias para limpar essa área."

Ela criticou os artigos da Lei de Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo (LOUS) que dispensam estudos de impacto em certas áreas. "A ação da prefeitura é amparada no artigo 103 da LOUS, que diz que não precisa de estudo de sombreamento em casos de 'áreas degradadas'. Daí a gente pergunta: qual é a qualidade que vai ter nessa rua sem saída, com dois edifícios subindo e descendo privadamente?", questionou.

"A base legal que sustenta esses edifícios ruiu. É o reconhecimento da inconstitucionalidade desses artigos que foram votados pela Câmara dos Vereadores", acrescentou.

A integrante do SOS Buracão defendeu que a preservação não é apenas uma questão ambiental, mas também a sobrevivência do turismo local. "A gente não quer Salvador uma Itapema. Queremos uma cidade que consiga preservar nossa qualidade. Sol e praia é a nossa riqueza o ano todo. É a base econômica do turismo. Como é que a gente mata a galinha dos ovos de ouro? [...] Você tem uma legislação ambiental nacional que é superior à do município e ela deve ser mantida. É uma luta que tem amparo legal e na qualidade de vida", finalizou.

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