Salvador

Cirurgiões do Hospital Roberto Santos relatam suspensão dos desligamentos e voltam a questionar promessas da Sesab

Camila Souza/ GOVBA
Comunicado dos cirurgiões aponta que Sesab irá regularizar os pagamentos e que vai evitar os atrasos  |   Bnews - Divulgação Camila Souza/ GOVBA

Publicado em 25/08/2026, às 16h25   Héber Araújo e Cauan Borges



Os médicos cirurgiões gerais do Hospital Geral Roberto Santos se manifestaram, nesta terça-feira (25), sobre os atrasos nos pagamentos dos salários. Através de comunicado enviado ao BNews, pela advogada Ana Caroline Amoedo, foi revelado que os valores continuam atrasados e o último pagamento ocorreu neste mês de agosto, referente aos meses de abril e maio.

“Este último pagamento, inclusive, ocorreu somente após os profissionais iniciarem movimentações formais perante a Diretoria, em razão do desfalque na escala causado pelo próprio atraso, o que levou diversos médicos a se desligarem sem que os gestores colocassem outros profissionais no lugar”, diz o comunicado.

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“Esse padrão demonstra uma demora recorrente de mais de 4 (quatro) meses entre a prestação do serviço e o efetivo recebimento, prazo que ultrapassa até mesmo o limite excepcional de 2 meses previsto no Edital e configura descumprimento contratual reiterado”, completou.

Ainda de acordo com a nota, os médicos procuraram o Departamento de Defesa das Prerrogativas do Médico (DEPMED) no Conselho Regional de Medicina da Bahia (CREMEB), o que gerou cobranças diretas à Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab). Após a primeira movimentação a pasta estadual entrou em contato com os cirurgiões, onde se comprometeu a regularizar os pagamentos atrasados e reajustar os valores dos plantões.

“Diante disso, optamos, neste primeiro momento, por recuar do envio da notificação formal de desligamento da escala diretamente à SESAB. Essa decisão se dá em consideração ao trabalho prestado à população e, sobretudo, aos pacientes que dependem de atendimento especializado [...] Caso os compromissos assumidos não sejam cumpridos, retomaremos a estratégia de formalização do desligamento e adotaremos as medidas cabíveis para resguardar os médicos”, concluiu a nota.

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O que diz a advogada?

O BNews entrou em contato com Ana Carilone Amoedo que, em respostas aos questionamentos, afirmou que esses atrasos vêm ocorrendo a muito tempo, mas ficaram piores a partir do fim do ano passado. Segundo ela, os contratos dos médicos estipulam um período de tolerância de até dois meses, mas que essa tolerância tem passado a não ser uma exceção, mas sim a regra para os pagamentos.

Ela ressaltou ainda que, após um contato com a Sesab, os profissionais decidiram recuar das decisões de desligamento dos profissionais. “Eles [cirurgiões] começaram a se movimentar, avisar os gestores e a Sesab se sentiu ameaçada e começou a se movimentar. Tivemos o auxílio do Cremeb, conseguimos uma pressão maior, e a Sesab deu esse posicionamento informando que faria o reajuste do valor e pagaria os valores em atraso e reduzir essa questão do atraso, cumprindo os prazos”.

Ana Caroline revelou também que a ação no Cremeb foi protocolada com 25 médicos, mas a ação subiu para 28/29 profissionais. 

Nós não desistimos da ação. Nós suspendemos o desligamento formal. Se eles [Sesab] não cumprirem o acordo, o prometido, a gente vai retomar as medidas, mas formalmente não informamos o desligamento”, destacou.

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O que diz a SESAB?

Em nota envida à reportagem, a Sesab voltou a afirmar que os pagamentos dos profissionais que atuam no Roberto Santos são feitos dentro do prazo estabelecido em contrato, que é de 60 dias após a apresentação da documentação comprobatória sobre o cumprimento dos plantões. 

Eventuais pagamentos que ultrapassem este tempo, de acordo com a pasta, se dão por conta da falta de apresentação da documentação necessária.

A Sesab ainda declarou que o pleito apresentado pelos profissionais para reajuste dos valores dos plantões foi atendido, "com a concessão de acréscimo de 30% na remuneração".

"Até o momento não houve entrega de documento formal por parte dos médicos ou advogados que os representem solicitando desligamento coletivo da unidade. As escalas de trabalho seguem organizadas para assegurar a continuidade da assistência", afirma a secretaria.

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