Salvador

Contaminação na praia de São Tomé segue afetando cerca de 800 famílias, mas novo rumo deve acontecer nas próximas semanas

Matheus Lemos/Inema
Praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador, está interditada desde março deste ano  |   Bnews - Divulgação Matheus Lemos/Inema
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 20/10/2026, às 12h46



A praia de São Tomé de Paripe, localizada no Subúrbio Ferroviário de Salvador, conhecida por sua beleza e mar calmo, vive um problema de contaminação ambiental desde março desse ano. Foram coletadas amostras da água do mar e dos líquidos para análise laboratorial e identificaram um líquido azul com altas concentrações de nitrato (NO₃) e cobre (Cu) e um líquido amarelo com elevada concentração de nitrato (NO₃).

Também foram detectadas concentrações menores dessas substâncias em amostras recolhidas nas proximidades da área de operação da empresa. Por conta disso cerca de 800 famílias foram afetadas. Ao Bnews, a prefeitura de Salvador informou que segue prestando apoio a essas famílias que tiveram o seu sustento afetado por conta da proibição do uso da praia. 

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O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para apurar os impactos da contaminação química. Uma das primeiras medidas da investigação é a realização de uma perícia antropológica em caráter de prioridade e urgência. Um dos pontos da análise será os efeitos do despejo de resíduos poluentes no mar, que pode estar relacionado à instalação do Terminal Marítimo de Granéis (TMG).

Inema atualizou o caso

Em nota enviada ao Bnews, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) informou que o Terminal Itapuã Ltda. permanece interditado por tempo indeterminado e que a Gerdau está realizando coletas e análises laboratoriais de sedimentos, água intersticial, água do mar e biota, sob acompanhamento da equipe técnica do Inema. Os resultados subsidiarão a avaliação dos próximos passos e a definição da área sob investigação.


Ainda conforme o Inema, representantes da Gerdau se reuniram com o Inema na última sexta-feira (16) para apresentar resultados parciais do monitoramento ambiental realizado pela empresa na área. A avaliação conclusiva do Instituto, com base nos dados apresentados e nos resultados das análises, deverá ocorrer nas próximas semanas. Ainda durante o encontro, a empresa também apresentou uma proposta de intervenção emergencial.

O Inema lembrou que em junho foram aplicadas multas de R$ 20 milhões ao Terminal Itapuã Ltda. e de R$ 50 milhões à Gerdau Aços Longos S.A em junho deste ano. As duas empresas apresentaram suas respectivas defesas, que estão em análise técnica e jurídica no âmbito do Instituto.

As empresas também foram notificadas a apresentar estudos complementares e ações de remediação ambiental. O material será avaliado pelo Inema e servirá de subsídio para a definição das medidas necessárias à recuperação da área. O caso também é acompanhado pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) e pelo Ministério Público Federal (MPF), no âmbito de suas respectivas atribuições.

"O Inema segue acompanhando a situação e realizando inspeções no local, além de reiterar às empresas responsáveis a adoção das medidas cabíveis. Até o momento, não há previsão para o encerramento da interdição. Eventuais alterações na delimitação da área sob investigação dependerão da análise dos resultados das coletas e dos estudos técnicos apresentados", diz um trecho da nota. 

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