Salvador

Do Alto do Cabrito para as vitrines do charmoso bairro de Montmartre, em Paris

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Estilista baiano volta a Salvador depois de lançar sua marca em loja conceito na capital francesa e traz na bagagem inspiração e novos projetos  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Cibele Gentil

por Cibele Gentil

Publicado em 09/05/2026, às 04h00



O premiado estilista e arquiteto baiano Cleidson Marques está de volta a Salvador, depois de uma temporada de sucesso na capital francesa. Aos 31 anos, o fundador da CM Brand retornou, no fim de abril, após instalar sua marca em uma loja conceito em Paris.

Nesta que foi sua segunda visita à cidade, que durou três meses, Cleidson viu a CM Brand conquistar espaço junto a outros criadores de moda na Conceito Store da Kroskel, uma marca de Camarões. A loja fica localizada em Montmartre, um dos bairros parisienses mais boêmios e famosos.

“É um sonho sendo realizado e ao mesmo tempo é muito louco para mim, porque eu jamais imaginaria que a minha marca estaria em uma loja em Paris”, falou o estilista em conversa com a redação do BNews. Ele também contou sobre o prêmio conquistado no ano passado, os novos projetos, o pioneirismo da marca e as novidades para suas próximas coleções.

Création Brasil

Nascido no bairro do Alto do Cabrito, em Salvador, Cleidson tinha visitado a França anteriormente no final de novembro de 2025. Na ocasião, ele foi o vencedor do concurso Création Brasil, realizado pela hub de inovação Vale do Dendê em parceria com a Embaixada Francesa.

A conquista abriu portas para novos horizontes profissionais para o jovem estilista. Após o concurso, ele teve a oportunidade de vivenciar uma imersão de sete dias em Paris.

A moda das ruas

Conforme contou Cleidson, as suas experiências na capital francesa foram extremamente inspiradoras. Para ele, a liberdade e a criatividade do parisiense se refletem no 'street style' local de maneira única.

“Paris é uma cidade que as pessoas têm meio que carta branca para serem o que querem”, disse o estilista. Ele explica que a diversidade e o estilo pessoal presente nas ruas é algo muito marcante.

“É você andar na rua e ver pessoas extremamente estilosas, sendo semana de moda ou não. Você vai andar na rua e vai ver pessoas de diversos corpos, com diversos tipos de roupa. Usando tendência, não usando tendência, mas todas com seu estilo único”, descreveu Cleidson.

A estética em duas vertentes

Formado em Arquitetura e Urbanismo, Cleidson segue as duas profissões, atuando paralelamente como arquiteto e como estilista. “Eu trabalho com as duas áreas. Inclusive, eu brinco com o pessoal que das 8h às 15h eu sou arquiteto, das 15h às 20h da noite eu sou estilista”, disse bem-humorado.

Cleidson explica que o seu trabalho de moda está muito correlacionado com seus projetos de arquitetura. “Eu acredito que seja a mesma coisa, o que muda é a escala”, falou. Para ele, os conceitos entre as duas áreas estão intimamente ligados e se complementam.

“Eu brinco com os meus amigos arquitetos, porque eu estou um passo à frente deles. Porque tudo que é tendência na arquitetura, primeiro é tendência na moda. E eu brinco com os meus amigos da moda, os outros designers, que eu estou um passo à frente deles porque a minha visão de conceito dentro da moda é diferente por conta do meu repertório de arquitetura”, falou.

Internacionalização da marca e novos projetos na bagagem

Conforme exlicou o estilista, a primeira ida a Paris, de apenas sete dias, foi curta para que ele pudesse conseguir internacionalizar a sua marca. Ele contou que esta nova viagem, com duração mais prolongada, foi realizada para alcançar esse objetivo e também entender melhor o público da Europa.

Cleidson contou que voltou a Salvador no final do mês de abril e já começou a trabalhar em sua coleção nova, agora com esse acréscimo no seu repertório. “Acredito que as próximas coleções vão ser um pouco mais maduras”, ponderou.

A CM Brand, que até então tinha o foco voltado para a moda praia e peças mais casuais, trará novidades. “Estou trazendo uma nova estética, que é a alfaiataria. Então, eu estou trabalhando muito nesse viés de poder criar uma peça de roupa que a mulher consiga usar na praia e também para o jantar com as amigas”, antecipou o estilista.

Monotonia, pioneirismo e público LGBT

Na avaliação de Cleidson, as tendências na moda masculina sobrevivem muito mais do que as tendências femininas. “O mundo da moda masculina é muito monótono. Foi por isso que eu criei a primeira sunga, com um fecho na lateral. Eu fui a marca pioneira a criar esse estilo de sunga e os meninos amaram. 70% do meu público é LGBT”, falou o estilista sobre o início da sua marca.

As conquistas de Cleidson no cenário internacional de moda são um feito que deixam o estilista orgulhoso e trazem a consiência de que representa também uma inspiração para outros jovens. “Acredito ser um pioneiro na minha cidade. É uma marca de uma pessoa preta, estando em Paris, criando em Paris, tendo seus lançamentos em Paris, acrescentou.

Representatividade e exemplo

“Eu acredito muito que esse feito não pode parar em mim.” Com esse pensamento, o estilista tem buscado criar incentivos para que outros jovens possam viver a mesma experiência a que ele teve acesso.

Segundo contou, ele voltou da viagem recente já com alguns projetos para serem executados em Salvador. Para Cleidson, não há diferenças de criatividade e capacidade produtiva entre os soteropolitanos, franceses ou africanos e que é necessário criar oportunidades. “A ideia é multiplicar, fazer com que meninos e meninas também de periferia tenham acesso a tudo isso que eu estou vivendo”, falou.

Classificação Indicativa: Livre

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