Salvador
por Thiago Teixeira
Publicado em 07/03/2026, às 06h00 - Atualizado às 06h30
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) exigiu alterações no projeto de expansão Sul da Linha 1 do Metrô de Salvador e Lauro de Freitas, o chamado Tramo IV — trecho que liga a estação da Lapa ao Campo Grande. Com isso, a Companhia de Transportes da Bahia (CTB) precisou alterar o local da nova estação a ser criada na região.
O BNews obteve acesso com exclusividade ao parecer técnico do Iphan, órgão federal responsável pela proteção do patrimônio arqueológico e histórico do país. A reportagem também analisou os documentos atualizados do projeto que, inclusive, já foi aprovado pelo instituto na última quinta-feira (5).
De acordo com a análise do Iphan em setembro de 2025, o projeto original previa estruturas muito próximas de bens culturais tombados pelo governo federal, especialmente o Teatro Castro Alves (TCA) — localizado dentro da área diretamente afetada pela futura estação do metrô — e o Forte de São Pedro — que aparece a cerca de 92 metros do empreendimento.
O órgão entendeu que a futura estação Campo Grande — que seria erguida em frente ao TCA — feria o artigo 18 do Decreto-lei nº 25/1937, que proíbe construções que impeçam ou reduzam a visibilidade de bens tombados. Diante disso, o instituto exigiu readequações do projeto.
Por isso, a CTB deslocou a futura estação da posição originalmente prevista para a esquina do Largo do Campo Grande. Após uma segunda análise, o Iphan concluiu, no último dia 5 de março, que os estudos apresentados pelo governo baiano atendem às exigências técnicas estabelecidas pelo instituto.
Confira como estava posicionada a antiga estação e onde ficará a nova:
Apesar do licenciamento ambiental já ter sido emitido pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) ainda em 2024, a anuência do Iphan é considerada uma das etapas obrigatórias quando obras de grande porte podem afetar áreas com potencial presença de patrimônio arqueológico.
Com o aval do Iphan, o consórcio formado pelas empresas Áyla Construtora, OECI, Metrô Engenharia e MPE Engenharia deve iniciar as obras em breve. O valor previsto em contrato é de R$ 1,1 bilhão, com prazo de 40 meses — com estimativa de entrega para o segundo semestre de 2029.
O Iphan tem analisado, desde de maio de 2024, os possíveis impactos da implantação da expansão do metrô na região do Campo Grande no patrimônio cultural e arqueológico da área, que integra uma das regiões mais antigas de Salvador — concentrando equipamentos históricos e eventos tradicionais, a exemplo do circuito Osmar do Carnaval.
De acordo com a documentação técnica analisada, além da alteração da estação Campo Grande, também houve mudanças na posição de estruturas subterrâneas do sistema do metrô, incluindo um Poço de Ventilação e Saída de Emergência (VSE) reposicionado da Avenida Araújo Pinho, no Canela, para a Avenida Santa Rita, no Centro.
Contudo, a posição VSE na área do estacionamento São Raimundo, desativado em junho de 2025 para a implantação do projeto de um eletroterminal pela Prefeitura de Salvador, segue mantido.
Entre as conclusões apresentadas, os técnicos apontam que eventuais impactos decorrentes da obra poderão ser mitigados por meio de programas de acompanhamento arqueológico e ações de educação patrimonial durante a execução do empreendimento.
Os técnicos também recomendaram a realização de estudos estruturais mais aprofundados sobre as fundações do Forte de São Pedro, devido à proximidade das escavações previstas para a obra. Como parte do processo de licenciamento, foram realizados estudos de monitoramento de ruído e vibração para avaliar possíveis impactos das obras sobre os edifícios históricos da região.
Os resultados indicam que os níveis registrados estão dentro dos limites técnicos estabelecidos por normas brasileiras, embora o Iphan recomende monitoramento contínuo durante as etapas de construção e operação do metrô.
A análise também utilizou como referência o Fórum Ruy Barbosa, localizado próximo à estação Campo da Pólvora, que já convive com a operação do metrô subterrâneo. Segundo os técnicos, os dados indicam que as vibrações geradas pelo sistema metroviário tendem a se dissipar antes de atingir edificações históricas.
Mesmo antes da anuência do Iphan, o Governo da Bahia já havia iniciado medidas para viabilizar a implantação do novo trecho do metrô na região do Campo Grande.
Uma área de aproximadamente 6 mil m² foi desapropriada para a execução das obras do Tramo IV da Linha 1 do metrô de Salvador. As decisões foram publicadas no Diário Oficial do Estado (DOE) em 18 de dezembro de 2025.
Os decretos tratam de três áreas distintas:
Procurada pelo BNews, a CTB explicou que as obras do Tramo IV em Salvador já avançam com a primeira etapa de demolições para a implantação do canteiro e o início da escavação do poço da Estação Campo Grande. De acordo com a CTB, para atender à demanda, 10 novos trens estão em fase final de contratação, o que elevará a frota total do sistema para 50 composições.
A estação Campo Grande terá 13 mil m², unindo arquitetura histórica e infraestrutura moderna com lojas, estacionamento e Centro de Controle. Além dos trâmites para as devidas anuências junto aos órgãos, o projeto contempla um túnel de 1,06 km e dois poços de ventilação, marcando um novo ciclo de investimentos na mobilidade urbana da capital", destacou a CTB
Ao BNews, a companhia ainda informou que o escopo inclui ainda um amplo plano de conectividade num raio de 1,5 km, com urbanização, passarela no Vale do Canela, elevador e plano inclinado.
As intervenções também integram o conceito de smart city e monitoramento digital. Todas as intervenções somam um investimento de R$ 2,154 bilhões, para transformar a qualidade de vida baiana", informou a CTB.
Classificação Indicativa: Livre
Cupom de lançamento
Imperdível
Super desconto
Café perfeito
famoso copo