Salvador

Moradores denunciam desmatamento de "árvores sagradas" e suposta irregularidade em obra no Rio Vermelho; assista

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Moradores da Alameda dos Baobás denunciam desmatamento irregular durante a construção de um novo empreendimento  |   Bnews - Divulgação Reprodução / BNewsTV
Cauan Borges

por Cauan Borges

cauan.borges@bnews.com.br

Publicado em 10/04/2026, às 16h48



Os moradores da rua Nelson Gallo, nas proximidades da Praça Mirante do Frajola, na Alameda dos Baobás, no bairro do Rio Vermelho, denunciam a empresa LPL Engenharia por suposto desmatamento irregular durante a implantação de um empreendimento na rua Archibaldo Baleeiro.

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De acordo com relatos da comunidade, a construtora teria promovido a supressão de diversas árvores em uma área considerada pública, incluindo um buzeiro, uma amoreira, várias aroeiras e dois baobás. As últimas, segundo os moradores, possuem valor simbólico por serem consideradas sagradas em religiões de matriz africana.

Moradores afirmam ter se organizado para tentar conter o avanço da obra e cobrar responsabilização pelos danos ambientais e culturais. 

A comunidade toda não acha correto e procurou se reunir, aqui em volta tem muitas pessoas com qualificações, elas têm lutado para conseguir que não prejudique totalmente aquilo que a gente conquistou como ação pública”, relatou a moradora e arquiteta Maria Lúcia.

Denúncias foram encaminhadas a órgãos ambientais e ao Ministério Público. Documentos obtidos pela reportagem indicam que a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) autorizou a retirada de cinco árvores no local. No entanto, as espécies listadas na autorização não incluem o baobá.

Em parecer elaborado após solicitação da vereadora Marta Rodrigues (PT), a Sedur afirmou não ter identificado exemplares de baobá na área. A versão é contestada por moradores, como a arquiteta e urbanista Maria Lúcia Carvalho, que afirma que as árvores foram plantadas pela própria comunidade em função de práticas religiosas existentes na região.

Outro ponto de tensão envolve a possível ocupação de área pública. Embora levantamento topográfico indique que o limite do empreendimento não invade o espaço em questão, moradores alegam que intervenções como a construção de estruturas de contenção estariam avançando sobre a encosta.

Os moradores também criticam a ausência de debates públicos sobre o projeto. Segundo eles, faltam audiências e maior participação da sociedade civil nas decisões urbanísticas que impactam a região. Como medida compensatória, a Sedur determinou que a LPL Engenharia realize o plantio de 35 árvores na mesma prefeitura-bairro ou bacia hidrográfica.

Procurada, a empresa informou, por meio de nota, que respeita os limites do terreno e que apresentou os projetos do empreendimento aos moradores para esclarecimentos. A construtora também afirmou que não houve invasão de área pública e que, após os esclarecimentos, não voltou a ser procurada pelos manifestantes.

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