Salvador

Por que chove mais em Salvador entre abril e junho? Entenda o fenômeno

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A chegada do outono se torna um momento em que moradores de Salvador convivam com mais chuvas  |   Bnews - Divulgação Arquivo BNews
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 27/04/2026, às 04h00



A chegada do outono se torna um momento em que moradores de Salvador convivam com mais chuvas, o que faz o período de abril e junho, se transformar em um clima mais crítico. Apenas em abril, a cidade já contabilizou quase 300 mm de chuva. 

Por conta de uma frente fria que assolou a cidade na última semana, bairros como Rio Vermelho e Barris registraram média de 156 mm em 96 horas. Já Pirajá e Marechal Rondon, tiveram cerca de 143 mm, menores médias observadas.

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Por que tanta chuva?

Segundo Gabriel Pugliese, meteorologista e coordenador do Centro de Monitoramento de Alerta e Alarme da Defesa Civil de Salvador (Cemadec), abril (285 mm), maio (300 mm) e junho (238 mm) são historicamente os meses mais chuvosos na capital baiana de acordo com dados Instituto Nacional de Meteorologia, com base nas normas climatológicas dos últimos 30 anos.

“Esse padrão evidencia uma concentração clara de precipitação no outono, tornando esse o período mais crítico do ano do ponto de vista hidrometeorológico”, explicou o especialista.

Esse crescimento no volume das chuvas ocorre por conta da atuação combinada de diferentes sistemas meteorológicos típicos do litoral nordestino. “Destacam-se as frentes frias que avançam até a região, cavados, áreas de baixa pressão e as ondas de leste, que têm papel relevante na geração de chuvas persistentes na faixa costeira. Soma-se a isso a atuação constante de ventos úmidos provenientes do Oceano Atlântico, que mantêm elevados os níveis de umidade na atmosfera”, detalhou.

No entanto, os dados indicam alterações nesse padrão tradicional de acordo com Giuliano Carlos, meteorologista da Defesa Civil de Salvador (Codesal). “Observa-se um aumento na ocorrência de eventos de chuva fora do período típico, com episódios intensos e concentrados também em outras épocas do ano. Esse comportamento pode estar associado às mudanças climáticas e às anomalias na temperatura da superfície do Atlântico, que alteram a dinâmica atmosférica e favorecem eventos extremos”, explica.

Monitoramento

Mesmo com essa quantia volumosa, espera-se que os próximos três meses sejam de chuvas dentro das médias climáticas. De acordo com a Codesal, é realizado ações como monitoramento contínuo das condições meteorológicas, acompanhamento em tempo real por meio de imagens de satélite e radar.

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Além disso, a Codesal afirma que há uma operação de uma rede integrada de estações pluviométricas, meteorológicas, hidrológicas e geotécnicas distribuídas em pontos estratégicos da cidade, com o objetivo de transformar um comportamento climático já conhecido em ações antecipadas, reduzindo riscos e aumentando a capacidade de resposta do município diante de eventos cada vez mais intensos. 

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