Salvador

"Vai adoecer a categoria”, dispara diretor do sindicato dos rodoviários após confirmação do estado de greve

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Após meses de negociações sem acordo, rodoviários de Salvador decidiram pelo estado de greve na capital baiana  |   Bnews - Divulgação Reprodução / BNews - Victor São Tiago / Ônibus Brasil


Após a aprovação por unanimidade da greve dos trabalhadores do transporte público em Salvador, que será afetado a partir da 00h desta sexta-feira (22), o diretor de comunicação do Sindicato dos Rodoviários, Daniel Mota, afirmou que a categoria tentou negociar por mais de dois meses, mas não houve avanço nas propostas apresentadas pelo setor patronal, durante a Assembleia Permanente da Campanha Salarial 2026, nesta quinta-feira (21).

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Há mais de dois meses que a gente vem tentando encontrar um caminho. Infelizmente, os empresários não entenderam isso. Hoje tivemos duas audiências no tribunal. A inflação está um pouco mais de 4% e, infelizmente, os empresários botaram 2,36%. Então não é para negociar”, declarou Mota em entrevista ao BNews.

Segundo Daniel, a categoria nunca aceitou campanhas salariais com reajuste abaixo da inflação e, diante do impasse, os trabalhadores decidiram pela paralisação: “Toda vez, a categoria nunca fez uma campanha salarial menor que a inflação. Infelizmente, não teve outro caminho. A categoria aqui hoje, por unanimidade, aprovou a greve”, acrescentou.

O sindicalista também criticou tentativas de retirada de direitos trabalhistas durante as negociações. De acordo com Daniel, além do reajuste considerado insuficiente, os empresários teriam apresentado propostas que prejudicariam a categoria.

Infelizmente, tirar direitos pra nós é inaceitável. A tentativa de uma greve pra poder tirar direitos… mas graças à compreensão também do tribunal, fizemos todos os caminhos possíveis para evitar a greve”, disparou.

Além das reivindicações salariais, os rodoviários também relatam problemas nas condições de trabalho. Daniel Mota citou dificuldades enfrentadas diariamente pelos profissionais, como jornadas extensas, pressão causada por sistemas de telemetria instalados nos ônibus e falta de estrutura adequada para os trabalhadores.

Nós que transportamos mais de um milhão e meio de pessoas nessa cidade, compreendemos que uma telemetria é um equipamento tecnológico, que quando você acelera um pouco mais o ônibus nas ladeiras íngremes, soa um bico no seu ouvido. Isso tem perturbado a gente. Outro aspecto é a cagta horária, que às vezes no final de semana extrapola a jornada. Se não mexer nisso, vai adoecer a categoria”, destacou Daniel.

A paralisação ocorre após impasse nas negociações mediadas pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5). A categoria reivindica reajuste salarial acima da inflação, melhorias no ticket alimentação, redução da jornada de trabalho e revisão das chamadas cartas horárias.

Ao final da entrevista, Daniel voltou a cobrar sensibilidade das empresas diante da proposta apresentada: “Agora é pedir a Deus e a compreensão das empresas, que reflitam que o percentual que eles colocaram de 2,36% é muito baixo”, concluiu.

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