Salvador
O Santo Antônio Além do Carmo, um dos bairros mais tradicionais de Salvador, tem sido, nos últimos dias, alvo de polêmicas relacionadas aos eventos realizados na região, principalmente durante a estação mais quente do ano, o verão.
Nesta sexta-feira (10), o Largo do Santo Antônio será palco do “Som do Sabor”, evento gratuito, que vai até o domingo (12) e promete reunir arte urbana, gastronomia local e música, com atrações como a banda Àttooxxá, a cantora Melly e as bandas Afrocidade e Sambaiana.
Para quem é de fora, as opções de entretenimento no local são um grande atrativo. No entanto, para quem reside nessa parte boêmia da capital baiana, o som alto, a sujeira e a intensa circulação de pessoas são capazes até de tirar o sono.
“Eles trazem só malefícios, de uma forma geral, desde o barulho que estamos escutando agora, da montagem desses eventos imensos, até a desmontagem, isso sem o evento acontecendo. Quando o evento está acontecendo, nessa magnitude, com essa quantidade de atrações, traz uma quantidade de gente que nem conhece o bairro, não tem interesse no bairro, não são passantes ou um público que curte o Santo Antônio, que tem respeito pelas casas, que gostam de ver os moradores, de vivenciar esse espaço, que é bem mais bucólico e aconchegante”, iniciou Bia Poró, presidente da Associação dos Bares e Restaurantes do bairro.
Ainda de acordo com Bia, essa situação acaba afastando os turistas que buscam tranquilidade. “Durante [os eventos], há uma grande quantidade de lixo, de barulho, trânsito que não flui, buzinaço. Então, a rua fica fechada, mas as ruas paralelas todas ficam intransitáveis”, acrescentou.
Um morador que preferiu não se identificar compartilha o mesmo sentimento. “A sujeira é generalizada, não existe uma organização. A maioria dos moradores daqui são idosos, e a gente não tem como se locomover. Por exemplo, tem idosos aqui que tem o cuidado de home care, é o caso da minha mãe, que vive com isso aqui dentro de casa e, se a gente quiser transportá-la com a ambulância, não temos a mobilidade, fora que essas festas a deixam muito agitada”, afirmou.
“Podem ter benefícios para os comerciantes, mas para os moradores, não existem benefícios, existem mais malefícios, sujeira, barulho o tempo todo, a madrugada toda. Você sai, de manhã, e as portas estão sujas de urina, fezes e garrafas, em tudo quanto é lugar”, complementou.
O que dizem as autoridades
Ao BNews, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) informou que realiza constantemente ações de combate à poluição sonora no Santo Antônio Além do Carmo. De acordo com a lei municipal 5354/98, que dispõe sobre a utilização sonora em Salvador, é permitido a emissão de ruídos com níveis até 70 decibéis, das 7h às 22h, e até 60 decibéis, das 22h às 7h.
“Para o cidadão ou estabelecimento que for flagrado infringindo a lei, a multa varia de R$ 1.211,73 a R$ 201.788,90, e os equipamentos sonoros são apreendidos. Para denunciar, o cidadão deve ligar para o número 156”, disse a pasta.
Considerando o contexto cultural e histórico da região, nossa equipe de reportagem também entrou em contato com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para saber quais medidas têm sido adotadas para mitigar os impactos negativos desses eventos no bairro. De acordo com o órgão, as denúncias relacionadas à realização do “Som do Sabor” estão sendo analisadas.
“Destacamos que o Iphan autorizou apenas a montagem e a instalação de estruturas provisórias/temporárias, avaliando os eventuais impactos de tais estruturas ao Patrimônio Cultural tombado (edificado). No que compete ao órgão, está autorizada a montagem de um palco, de uma housemix, de um pórtico, de sanitários químicos e de toldos e barracas para o evento em questão”, declarou.
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