Saúde
A declaração de Virginia sobre o uso de pomada íntima e um possível impacto em exames antidoping de Vinir Jr. repercutiu nos últimos dias e acendeu uma dúvida no público: Afinal, é biologicamente possível que uma substância usada por uma pessoa seja transferida ao parceiro durante o sexo e apareça em um teste oficial?
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Segundo a ginecologista Zsuzsanna Jarmy Di Bella, assessora da diretoria científica da Febrasgo, o corpo humano possui tecidos capazes de absorver medicamentos, especialmente a pele e as mucosas.
“A mucosa vaginal, por exemplo, tem vasos sanguíneos que podem absorver determinadas substâncias, dependendo do tamanho da molécula, do veículo e da finalidade do medicamento”, afirmou a profissional, em entrevista ao portal Uol.
O ponto de atenção, especialmente no esporte de alto rendimento, não está no uso da pomada em si, mas no princípio ativo presente no produto. “Existe uma substância presente em alguns cremes cicatrizantes, como o clostebol, que é um esteroide anabolizante androgênico sintético, derivado da testosterona, proibido pela Wada [agência mundial antidoping], mesmo tendo efeito pouco expressivo na formação de massa muscular”, completa.
A especialista explica que, em situações de contato íntimo, essa substância pode ser transferida para a pele ou para a mucosa uretral do atleta. Mesmo em quantidades mínimas, o clostebol pode ser identificado em exames antidoping, já que os testes são altamente sensíveis.
Segundo ela, a maioria das pomadas, cremes e comprimidos vaginais é desenvolvida para ação local e costuma permanecer ativa no organismo por períodos que variam entre 24 e 72 horas. Esses produtos são usados, em geral, como antifúngicos, antibacterianos, hormônios ou hidratantes vaginais. Ainda assim, o risco de transferência depende de vários fatores.
Entre os principais estão a quantidade aplicada, a concentração da substância, o tipo de base do produto (creme, gel, pomada ou óvulo), o tempo entre a aplicação e a relação sexual e a repetição do contato. Por isso, especialistas diferenciam claramente o que é possível do que é provável.
Na prática, tribunais esportivos já analisaram casos envolvendo exposição indireta e contato íntimo. Por precaução, quando um dos parceiros é atleta submetido a controles frequentes, a orientação médica costuma ser de cautela máxima.
“O uso de preservativo minimiza o contato com substâncias presentes em cremes ginecológicos. Em geral, orienta-se abstinência sexual ou preservativo por pelo menos 72 horas, embora o tempo exato possa variar conforme o medicamento”, conta Di Bella.
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