Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 22/12/2025, às 12h09
Um debate foi reacendido sobre o consumo de álcool. A crença de que o consumo moderado de álcool era bom para o coração havia caído em desuso, no entanto, a Associação Americana do Coração (American Heart Association) reviveu a ideia em uma revisão científica que tem provocado fortes críticas.
Segundo o estudo, o consumo moderado de álcool, cerca de uma a duas doses por dia, não representa risco de doença coronariana, acidente vascular cerebral, morte súbita e possivelmente insuficiência cardíaca, e pode até mesmo reduzir o risco de desenvolver essas condições.
A controvérsia em torno da influente revisão da organização vem se intensificando desde sua publicação na revista Circulation, da associação, em julho.
Grupos de saúde pública e muitos médicos alertam, através de estudos recentes, que o álcool pode ser prejudicial mesmo em quantidades menores. Além disso, grupos como a Rede Europeia do Coração (European Heart Network) e a Federação Mundial do Coração (World Heart Federation) destacam que mesmo o consumo moderado de álcool aumenta as chances de doenças cardiovasculares.
Atuação do governo
O governo do presidente americano Donald Trump retirou de circulação, em setembro, um relatório que enfatizava a ligação entre o álcool e pelo menos sete tipos de câncer. O documento revelou que o risco de tumores orais e esofágicos começa a aumentar com apenas uma dose de bebida alcoólica por dia.
O governo se baseia em outro relatório que concluiu que bebedores moderados apresentaram menor risco de ataques cardíacos e menor mortalidade por todas as causas do que abstêmios. No entanto, o relatório observou um risco maior de câncer de mama em mulheres que consomem álcool.
Segundo Mariell Jessup, diretora científica e médica da Associação Americana do Coração, a revisão se concentrou em doenças cardiovasculares, porque essa é a missão da organização, acrescentando que a revisão não tinha como objetivo servir de diretriz e que as recomendações do grupo aos pacientes não mudaram.
“Nossas diretrizes atuais dizem: 'Se você não bebe, não comece'. Não há evidências suficientes para afirmar conclusivamente que o álcool previne doenças cardíacas”, afirma Jessup.
Críticas
Os críticos explicam que até mesmo a sugestão de possíveis benefícios para a saúde do coração é perigosa, pois os riscos do consumo de álcool são muito grandes.
Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube
Eles questionaram a forma como a associação cardíaca selecionou e ponderou os estudos analisados e disseram que pelo menos um dos autores tinha ligações com a indústria de bebidas alcoólicas no passado, o que deveria tê-lo desqualificado da participação.
“Os benefícios cardiovasculares do consumo moderado de álcool são, no mínimo, questionáveis” afirma Elizabeth Farkouh, médica internista e pesquisadora sobre álcool.
“Mas mesmo que houvesse algum benefício, existem muitas outras maneiras de reduzir o risco cardiovascular que não acarretam um risco associado de câncer”, complementa.
A conclusão da nova revisão está em desacordo com as diretrizes dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) sobre o álcool, que observam que “mesmo o consumo moderado pode aumentar o risco de morte e outros danos relacionados ao álcool, em comparação com a abstinência”, afirma Farkouh.
Classificação Indicativa: Livre
som poderoso
Som perfeito
Smartwatch top
Qualidade JBL
iPhone barato