Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 14/11/2025, às 06h00
As campanhas, como o Novembro Azul, têm um papel importante em quebrar o tabu e ampliar o conceito de prevenção masculina. Hoje se fala não só de próstata, mas também de coração, mente, nutrição e sexualidade.
Em entrevista ao BNews, Juarez Andrade, coordenador de urologia do Hospital da Bahia e urologista da AMO, explica que a prática de hábitos simples durante o dia já impactam na redução do risco de doenças nos homens.
“Hábitos simples do dia a dia fazem enorme diferença na saúde do homem. Parar de fumar é, isoladamente, a medida mais eficaz para evitar infarto, AVC, câncer e até impotência. Manter-se fisicamente ativo, caminhando cerca de 30 a 45 minutos, cinco vezes por semana, e fazendo dois treinos de força, ajuda a controlar o peso, a glicose e a pressão”, explica.
O urologista também fala sobre o peso de uma alimentação equilibrada e fatores como sono e controle do estresse. “A alimentação também pesa: uma dieta rica em verduras, frutas, grãos integrais, azeite e peixes, e com menos alimentos ultraprocessados, carnes gordas e bebidas açucaradas, reduz inflamações e o risco de doenças cardíacas e metabólicas. Dormir bem, reduzir o consumo de álcool e controlar o estresse completam o conjunto que mais protege a saúde masculina”, afirma.
No Brasil, os homens vivem, em média, 7,6 anos menos que as mulheres. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida masculina é de 72,2 anos, contra 79,8 anos, uma diferença que merece reflexão. O especialista fala sobre essa questão que atravessa a questão genética e biológica.
“A diferença não é apenas biológica, é comportamental. Os homens tendem a se expor mais a riscos, bebem e fumam mais, alimentam-se pior e procuram menos o médico. Também estão mais envolvidos em acidentes e violências. Além disso, há um estigma cultural que associa o cuidado à fragilidade. Muitos só procuram ajuda quando a doença já está avançada. A consequência é clara: diagnóstico tardio, tratamentos mais complexos e uma expectativa de vida menor”, alerta.
Mudança de percepção
Quando se trata de ir ao médico, mitos e estigmas entre os homens surgem, dificultando o autocuidado. O urologista explica que o primeiro passo para mudar essa percepção, é deixar de pensar que consulta médica é “coisa de quem está doente”.
“A prevenção é, na verdade, uma forma de manter energia, desempenho físico e sexual e qualidade de vida. É importante desmistificar o exame urológico, hoje a avaliação é centrada em conversa, exames de sangue e imagem, e o toque retal nem sempre é necessário”, explica.
Campanhas educativas, horários mais flexíveis e o uso de telemedicina ajudam a aproximar os homens do cuidado. “O principal mito a quebrar é o de que 'quem se sente bem não precisa ir ao médico'. As doenças que mais matam o homem, como infarto, hipertensão e diabetes, são silenciosas”, afirma.
Quando começar
A prevenção deve começar cedo. A partir dos 20 anos, é importante medir a pressão, controlar o peso e manter as vacinas em dia. Aos 35 ou 40 anos, entram os exames de sangue para colesterol, glicemia e função renal.
“O rastreamento do câncer de próstata costuma começar aos 50 anos, mas para quem tem histórico familiar ou é negro, o ideal é iniciar aos 45. Lembro que a maioria da nossa população é negra ou parda. Já a colonoscopia, para detectar câncer de intestino, é indicada a partir dos 45 anos. O importante é adaptar o check-up ao perfil e histórico de cada homem”, diz.
O que não pode ser ignorado
O especialista explica que alguns sinais merecem atenção imediata. Dor no peito, falta de ar, palpitações, desmaios, dormência em um lado do corpo, sangue na urina ou nas fezes, perda de peso sem causa aparente e nódulos testiculares são indícios que algo está fora do normal.
“Além disso, alterações persistentes no humor, ansiedade excessiva e pensamentos negativos também precisam ser avaliados, pois cuidar da mente é cuidar do corpo. Do ponto de vista urológico, devemos ficar atentos às dificuldades para urinar, dificuldades de ereção ou sangue na urina”, afirma.
Outro ponto é cuidar da mente com a mesma seriedade que se cuida do corpo é essencial. Atividade física, lazer, boa qualidade do sono e, quando necessário, acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, são formas eficazes de prevenção.
“O estresse crônico aumenta a pressão arterial, altera o metabolismo e reduz a imunidade. Além disso, ansiedade e depressão são fatores de risco para doenças cardíacas e dificultam o autocuidado”, explica.
Impacto na atividade sexual
O estilo de vida tem impacto direto sobre a função sexual e a fertilidade. “O tabagismo e o excesso de álcool prejudicam a ereção e a qualidade dos espermatozoides. O sobrepeso e o sedentarismo reduzem a testosterona e a libido", adverte Juarez.
"Para preservar a saúde sexual, o ideal é manter o peso adequado, dormir bem, praticar exercícios e evitar anabolizantes. Também é importante tratar doenças como hipertensão, diabetes e apneia do sono, que interferem na função erétil”, complementa.
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Importância da vacinação
A vacinação continua sendo uma das formas mais seguras e eficazes de prevenção. Homens devem manter vacinas como tétano, influenza, Covid, hepatites A e B e HPV em dia.
“Também é importante fazer exames periódicos para HIV, sífilis e hepatites, principalmente para quem tem múltiplos parceiros. O uso de preservativos e o acompanhamento regular com o médico são medidas simples que evitam complicações graves”, complementa o urologista.
Recomeço
Por fim, Juarez Andrade deixa o recado de que nunca é tarde para começar e deixa algumas dicas: “O segredo é começar de forma gradual e consistente: pequenas caminhadas, reduzir o açúcar, dormir melhor. Mesmo mudanças feitas após os 60 anos trazem ganhos concretos em energia, memória e expectativa de vida”, conta.
Ele diz que práticas como parar de fumar melhora a circulação em poucas semanas. Além disso, a prática regular de atividade física já reduz a glicemia e melhora o humor nos primeiros dias. Uma alimentação mais equilibrada diminui o colesterol e a pressão em questão de semanas.
“Prevenir é o caminho mais inteligente e econômico de viver bem. Com pequenas mudanças de rotina e consultas regulares, é possível evitar a maioria das doenças que encurtam a vida masculina. O autocuidado não é sinal de fraqueza, é um ato de coragem e responsabilidade”, finaliza.
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