Saúde

BNews Novembro Azul: Urologista explica principais dúvidas sobre o câncer de próstata

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BNews entrevistou o médico especialista Rodrigo Rossi Neto sobre a campanha Novembro Azul  |   Bnews - Divulgação Foto: Reprodução / redes sociais @uro.rossi
Natane Ramos

por Natane Ramos

Publicado em 24/11/2025, às 06h00



Durante o mês de novembro é reforçada a campanha do Novembro Azul em prol da conscientização do câncer de próstata. Para desmistificar esses tabus ligados à saúde masculina, o BNews convidou o Dr. Rodrigo Rossi Neto para explicar as principais dúvidas referentes ao diagnóstico da doença.

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Principais sintomas do câncer de próstata

Doutor em Urologia pela Universidade de Essen, na Alemanha, Dr. Rodrigo Rossi explicou quais os sintomas iniciais do câncer de próstata e por que ele costuma ser silencioso nas fases mais precoces. "O câncer de próstata no seu estágio inicial não gera qualquer tipo de sintoma, ele só traz algum tipo de incômodo, desconforto ou sintoma para o paciente em estágios avançados, justamente porque o câncer de próstata, na grande maioria das vezes, é muito lento e começa muito pequeno na próstata... então, daqui que ele cresça o suficiente para obstruir uma próstata e gerar os sintomas obstrutivas, demora muito tempo", declarou.

O especialista aponta sinalizadores como a dificuldade de urinar, o sangue na urina e a dor na região como fatores alarmantes. "Quando a gente fala de câncer de próstata, falamos desses sintomas graves, mas com o passar do tempo nós estamos descobrindo maneiras de identificar o câncer de próstata mais precocemente, evitando que se chegue  a esse estágio da doença", ressaltou.

PSA e Toque retal 

O Dr. Rossi explica o que é o PSA e como funciona o toque retal, destacando como ambos estão conectados e se complementam. "O PSA é uma substância que só é produzida pela próstata, ou seja, se você, por um acaso, tiver que arrancar sua próstata não vai não deverá mais existir PSA no seu sangue, correndo", declarou.

"O toque retal avalia a superfície da próstata, analisa como ela está, se tem alguma irregularidade, se tem algum caroço, algum endurecimento, e o PSA mostra ainda como é que está a atividade das células da próstata, que  é uma glândula. Então, quanto mais ativo isso se encontra, mais PSA é produzido e aí você tem uma suspeita que tem alguma alteração na produção de PSA, e é um dos indícios que você procura para poder se aprofundar e excluir ou fazer o diagnóstico de câncer de próstata", salienta.

Fatores de risco 

O urologista ainda destacou quais são os principais fatores de risco que aumentam a chance de desenvolver o câncer de próstata. Confira a seguir:

  • hereditariedade - Paciente apresenta 2.5 vezes mais chances do que a população em geral, que não possui esses familiares com histórico de câncer de próstata, de ter a doença.
  • Paciente negro -  O paciente negro aumenta em 3.5 vezes a chance de ter um câncer de próstata em relação à população em geral, pois isso é uma questão genética comprovada pela ciência.
"Claro que existe alguma relação com sedentarismo, com obesidade e tudo mais, mas ainda são, digamos assim, dados que precisam de uma confirmação mais contundente para a gente ter a certeza da relação direta com a chance de desenvolver câncer de próstata", acrescenta.

Tratamento contra o câncer de próstata

O Dr. Rossi destaca como ocorre o tratamento contra a doença, após a realização do diagnóstico. "A principal informação que a gente precisa ter do paciente que foi diagnosticado com câncer de próstata é qual é o grau de agressividade desse tumor. Ele é pouco agressivo, ele é moderadamente agressivo ou ele é muito agressivo? Existe uma classificação chamada classificação de Gleason, que vai de seis a 10 e que determina o grau, em ordem crescente, da agressividade do câncer", declarou.

O profissional destaca também que "se o paciente for diagnosticado com câncer de próstata com Gleason seis, que é o menos ofensivo de todos, e ele tiver um PSA abaixo de 10 e o número de biópsia de próstata não ultrapasse 50% dos segmentos avaliados da próstata, ele tem indicação de fazer a cirurgia. Mas, também tem indicação de não realizar cirurgia, entrar naquele protocolo que nós chamamos de vigilância ativa onde, após seis meses, há uma repetição da ressonância com nova biópsia e identificação do grau de agressividade para ver se mudou". 

Principais efeitos colaterais dos tratamentos

Uma das questões mais comuns é sobre os impactos gerados após os tratamentos contra o câncer, como a cirurgia e radioterapia, e como eles se apresentam na vida sexual e urinária do paciente. Neste caso, o Dr. Rossi destaca que a disfunção erétil pode acontecer entre 25% a 50% dos casos. "É importante avaliar antes da cirurgia como é que o paciente está do ponto de vista de função erétil, se ele está precisando usar medicação, se não está, enfim, e se tiver tudo bem, existe uma chance de 25% a 50% por cento dele piorar a sua função depois da cirurgia, mas o máximo que o urologista pode prometer a um paciente é que ele vai sair da cirurgia igual", declara.

"No caso da radioterapia, você se depara com a mesma situação do ponto de vista de disfunção erétil, com a mesma realidade de resultado e dando os mesmos prognósticos de dificuldade de ereção ou de manter a ereção. Do ponto de vista de incontinência urinária na cirurgia, isso está abaixo de 3% na maioria das vezes, porém, é importante a gente entender que existe uma incontinência transitória que acontece até seis meses ou um ano após a cirurgia do paciente. Mas, depois disso, o paciente restabelece a sua continência urinária", finalizou.

O Dr. Rodrigo Rossi Neto reforça a importância da visita ao urologista e atenção especial aos sintomas que podem apontar o câncer de próstata. Em seu perfil nas redes sociais, que soma mais de 170 mil seguidores, o doutor quebra os tabus com vídeos informativos de forma divertida e acessível.

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