Saúde

BNews Summer: Especialistas explicam como ajustar a rotina das crianças nas férias

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Atividades das crianças durante a época de férias no verão necessita de adaptações  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Freepik
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 08/01/2026, às 06h00



As atividades das crianças durante a época de férias no verão necessita de grande desafio para os pais. O planejamento para preencher a agenda no tempo livre requer atenção e não pode se transformar em uma sobrecarga. É o que explica a neuropsicóloga Silviane Andrade, sócia-diretora do Neuropsicocentro (NPC), ao UOL.

Segundo ela, os momentos de lazer são essenciais para saciar as necessidades cognitivas de descobrir e explorar o mundo de forma espontânea. “O nosso cérebro funciona processando estímulos e, quando ele os recebe em uma quantidade muito grande, acaba ficando sobrecarregado na tentativa de responder ao fluxo recebido. No caso da criança, o excesso de atividades vai prejudicá-la a saber lidar com o ócio na falta desse estímulo externo, um problema que afeta a habilidade da criatividade”, explica.

Ela afirma que o ideal é o equilíbrio. “Por isso, o ideal é conseguir equilibrar momentos de atividades e momentos que essa criança não tenha nada para fazer, principalmente sem o uso de telas, porque é nesses momentos que o cérebro vai ter o seu espaço criativo”, complementa.

Preocupação

No caso de pais e mães de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento ou que realizam diferentes tipos de terapias como crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista), o período de férias possui uma preocupação ainda maior. Sem as aulas que também contribuem no desenvolvimento terapêutico, é necessário achar atividades que distraiam as crianças sem perder o ritmo. 

Segundo Clarissa Leão, neuropsicóloga e também sócia-diretora do Neuropsicocentro (NPC), em entrevista ao UOL, é comum que esse ritmo de terapias tenha uma diminuição no período das férias, mas isso não significa que a criança vai ser prejudicada. 

“As férias são um espaço super rico de estímulo porque vai oferecer vários momentos que a criança também precisa para se desenvolver, indo além das terapias, como momentos em família e eventos sociais. É preciso dar espaço para a criatividade, vivenciando novas perspectivas até mesmo em casa”, explica.

Dicas para lidar com os pequenos

Segundo a neuropsicóloga Clarissa Leão, para saber lidar da melhor maneira com o período de férias das crianças com autismo, é necessário realizar atividades que possam estimular a socialização, partindo de algo que a criança já possua interesse, mas que a surpreenda. Além disso, outras maneiras são:

  • Evitar uma exposição a algo extremamente novo que possa causar desconforto ou aflito. Por exemplo, se a criança gosta de brincar com dinossauros, faça a sugestão que o dinossauro gosta de brincar de andar de carro. Nesse caso, insere-se um novo elemento que seria o carro, sem tirar dela o dinossauro porque é uma zona de conforto e traz segurança para ela;
  • Dar preferência em ambientes ao ar livre, onde não haja muito barulho e que a criança se sinta mais segura;
  • Trabalhar o local com a criança, com antecedência, oferecendo pistas visuais de onde ela vai, além de imagens do lugar e qual o horário;
  • Traçar planos caso a atividade não ocorra como se imaginava, criando maneiras, que estimulem precisar voltar para casa ou deixar a criança em um espaço que ela se sinta segura;

Atenção às telas

Os pais também devem ficar atentos ao tempo gasto nas frente das telas. Estudos revelam que o cérebro de crianças e adolescentes podem ser afetados pelo uso excessivo de tablets, celulares, televisões e computadores, limitando desde o sono, visão, postura e capacidade de comunicação, de resolução de problemas e de sociabilidade. 

De acordo com a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação é de que crianças menores de 2 anos não possuam contato com telas, nem mesmo televisão. Depois dessa idade, a liberação é de no máximo uma hora por dia. A partir dos 8 anos, de forma controlada, poderia usar celular.

Classificação Indicativa: Livre

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