Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 01/04/2026, às 23h48 - Atualizado às 23h59
Um imbróglio tem impactado a área da saúde baiana. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) suspendeu a oferta do serviço de avaliação vascular especializada nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) sob gestão municipal. O comunicado foi emitido à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) na última terça-feira (31).
O ofício assinado pela Diretoria de Regulação, Controle e Avaliação (DRCA/SMS), Daniela Alcântara, informa que a interrupção passou a valer a partir desta quarta-feira (1º), sem previsão de retorno. A medida exige apoio da regulação estadual para continuidade da assistência aos usuários eventualmente afetados.

A Sesab manifestou preocupação com a decisão, afirmando que a medida é abrupta e pode desorganizar a rede assistencial. Segundo a pasta, pacientes com quadros vasculares deixarão de contar com avaliação especializada nas UPAs municipais, o que pode ampliar o tempo de espera e aumentar o risco de agravamento clínico.
A secretaria estadual sustenta ainda que, até então, essas demandas eram analisadas por médicos da própria estrutura municipal. Com a suspensão, os pacientes passam a depender de encaminhamento para unidades estaduais, em uma rede já considerada sobrecarregada.
Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube
No ofício, a DRCA/SMS afirma que, no momento, “não há previsão para a retomada das referidas avaliações” e diz estar à disposição para dialogar sobre medidas de transição que reduzam impactos sobre o acesso e a continuidade do cuidado na rede compartilhada.
A Sesab, por sua vez, reforça que o fortalecimento do SUS depende do compromisso conjunto entre as esferas de gestão e que a interrupção do serviço nas unidades municipais fragiliza o atendimento ao cidadão.
“O Governo do Estado reafirma seu compromisso com a saúde da população baiana e não se furtará à responsabilidade de atender esses pacientes. É necessário registrar, porém, que a interrupção desse serviço nas unidades municipais de Salvador é uma decisão da Prefeitura, que fragiliza o atendimento ao cidadão e impõe ao Estado uma sobrecarga evitável. O fortalecimento do SUS depende do compromisso conjunto de todas as esferas de gestão”, afirmou em nota.
O que diz a prefeitura
Em nota enviada ao Bnews, a Secretaria Municipal da Saúde de Salvador esclareceu que não faz parte do escopo assistencial das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) a realização de avaliações vasculares especializadas, e que a suspensão dessa etapa não representa qualquer interrupção no atendimento à população. Além disso, avaliou como "lastimável e constrangedora a tentativa de politização de um tema técnico".
Leia a nota na íntegra:
A Secretaria Municipal da Saúde de Salvador (SMS) considera lastimável e constrangedora a tentativa de politização de um tema técnico, que impacta diretamente a vida e a integridade da população, como forma de desviar o foco das responsabilidades estruturais relacionadas à organização da regulação no Estado da Bahia.
A SMS esclarece, de forma categórica, que não faz parte do escopo assistencial das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) a realização de avaliações vasculares especializadas, e que a suspensão dessa etapa não representa qualquer interrupção no atendimento à população.
Importante destacar que essa não se trata de uma prestação direta de serviço de saúde ao cidadão, mas de uma etapa administrativa incorporada ao fluxo de regulação estadual, com a justificativa de contribuir para a agilidade na liberação de leitos hospitalares.
A Secretaria ressalta que essa exigência foi sendo adotada no âmbito da regulação estadual, sem previsão normativa no SUS, e passou a ser executada pelo município de forma complementar, com o objetivo de colaborar com a organização do fluxo assistencial.
No entanto, a realidade atual demonstra que esse modelo não tem produzido o efeito esperado e, ao contrário, tem contribuído para o aumento do tempo de espera por internação.
Nesta data, por exemplo, 315 pacientes aguardam transferência nas UPAs municipais, incluindo pacientes vasculares, já inseridos no sistema de regulação e com indicação de internação. Ou seja, são pacientes que já foram atendidos, estabilizados e que permanecem nas unidades por dependerem da disponibilidade de leitos hospitalares sob gestão estadual.
Esse cenário evidencia que a principal limitação está na capacidade de resposta da rede hospitalar e na efetividade da regulação de leitos.
A exposição indevida de documento técnico de circulação interna, utilizada de forma descontextualizada, fragiliza a relação entre os entes federativos, compromete a confiança necessária à gestão compartilhada do SUS e desloca o debate do campo técnico, em prejuízo da população.
Diante disso, a SMS reafirma seu compromisso com a transparência e com a correta informação à sociedade, ao mesmo tempo em que não aceita a distorção de decisões técnicas nem a tentativa de transferência de responsabilidades.
Por fim, a Secretaria informa que seguirá em diálogo com a Secretaria Estadual da Saúde da Bahia (Sesab), com o objetivo de alinhar fluxos e construir soluções que garantam maior eficiência no atendimento à população.
Classificação Indicativa: Livre
Lançamento com desconto
Congresso Internacional
cinema em casa
som poderoso
Imperdível