Saúde

Casos de dupla infecção de covid-19 e influenza já foram identificados na Bahia; saiba mais

Dinaldo Silva/Arquivo BNews

Primeiro registro oficial da dupla infecção no mundo ocorreu neste domingo (2) em Israel

Publicado em 03/01/2022, às 11h55    Dinaldo Silva/Arquivo BNews    Diego Vieira

Em meio a pandemia da covid-19 e ao surto da gripe, um novo alerta foi aceso neste domingo (2). Uma jovem grávida foi detectada em Israel com o primeiro caso da "flurona", uma mistura das duas doenças.

No entanto, de acordo com especialistas ouvidos pelo BNews, apesar de ser a primeira ocorrência documentada, casos como o da israelita não é novidade, e inclusive, já foi identificado em Salvador.

De acordo com médico infectologista Antônio Bandeira, tanto em 2020 quanto no ano passado pacientes internados em razão da covid-19 também apresentaram resultado positivo para influenza, vírus causador da gripe.

A questão da dupla infecção não é nova para nós. Tanto em 2020, quanto no ano passado tivemos pacientes internados com covid que quando a gente buscava ver, na verdade, um painel maior de vírus a gente via que em alguns casos eles não tinham só covid. Teve pacientes com covid e influenza e pacientes com covid e outros vírus respiratórios isolados no mesmo indivíduo.

Procurada pela reportagem, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), afirmou, entretanto, que até o momento não há registros oficiais de casos no território baiano.

Apesar disso, para o também infectologista Adriano Oliveira, é muito provável que existam outros casos da “flurona” no Brasil, tendo em vista a pandemia da covid e a explosão dos diagnósticos da gripe registrados no país.

No sábado eu atendi uma paciente com dois exames positivos de farmácia, um para coronavírus e outro para influenza, mas ela estava bem. Eu pedi para confirmar os resultados em laboratório para ter alguma segurança e observar isso com curiosidade. No Brasil, muito provavelmente, deve ter pessoas infectadas com os dois vírus ao mesmo tempo.

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Apesar do espanto que o assunto causa, a dupla infecção não é motivo para pânico. Os especialistas explicam que é necessário que haja um estudo dos casos para saber se a combinação dos dois vírus causa maior gravidade da doença. No caso da israelita, ela apresenta sintomas leves.

“A coinfecção pode acontecer ainda mais agora que a gente tem uma epidemia muito grande do H3N2. Precisamos aguardar um pouco mais para sabermos o que isso significa. Um caso isolado a gente considera que não represente um comportamento natural dessas coinfecções”, pontua Antônio Bandeira.

Para Adriano Oliveira, “o grande problema agora é o encontro dos dois vírus. Não só o problema no sentido das consequências clínicas individuais em cada paciente, mas também a nível do sistema de saúde. São duas doenças altamente disseminadas e que possivelmente juntas de forma aditiva vão estressar o sistema de saúde”, afirma.

No Brasil, os primeiros casos foram notificados no Ceará. A capital, Fortaleza, contabiliza três casos da "coinfecção": são duas crianças de 1 ano de idade, que chegaram a ser internadas em hospitais privados da cidade; e um homem de 52 anos, que não precisou de hospitalização.

Segundo a Secretaria de Saúde, as crianças também não apresentaram quadros graves e já receberam alta hospitalar. Não há informação de qual cepa do coronavírus foi responsável pelas infecções. Já o vírus da gripe foi identificado como influenza A H3N2.

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