Saúde

Casos de Parkinson devem crescer consideravelmente e podem afetar mais do que movimentos; entenda

Ilustrativa/Pixabay
Sintomas do Parkinson dificultam a higiene oral, aumentando o risco de complicações dentárias e de saúde.  |   Bnews - Divulgação Ilustrativa/Pixabay
Redação Bnews

por Redação Bnews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 11/04/2025, às 05h00



Mais do que afetar os movimentos, o Parkinson pode comprometer funções básicas do dia a dia, como escovar os dentes, e desencadear uma série de complicações. A saúde bucal, muitas vezes negligenciada nesses pacientes, pode desempenhar um papel importante na progressão da doença e no bem-estar geral.

Atualmente, a doença é a segunda condição neurodegenerativa mais comum no mundo, atrás apenas do Alzheimer. Segundo projeções da Capital Medical University, em Pequim, a expectativa é que até 2050 cerca de 25 milhões de pessoas convivam com a doença, um aumento de 76% em relação aos números de 2021. 

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube!

O crescimento mais expressivo deve ocorrer entre os idosos com 80 anos ou mais, com um salto estimado de 196% nos diagnósticos nessa faixa etária. A doença é causada pela degeneração de células da substância negra do cérebro, região responsável pela produção de dopamina, neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos.

Entre os sintomas mais conhecidos estão tremores, rigidez muscular e lentidão motora. Mas, com o avanço do quadro, surgem outros desafios: os cuidados com a boca, por exemplo, tornam-se mais difíceis, exigindo atenção redobrada.

Tremores nos lábios e língua, rigidez facial e dificuldades para engolir prejudicam a higienização adequada da cavidade oral. Como resultado, aumentam os riscos de fraturas dentárias, ferimentos na boca, dores na articulação da mandíbula e doenças como cáries e periodontite.

 “A perda dentária compromete a mastigação, a fala, a autoestima e até a nutrição, além de aumentar o risco de engasgos e pneumonias, esta última, uma das principais causas de morte em pacientes com Parkinson em estágio avançado”, explica o dentista e diretor da Neodent, Sergio Bernardes.

Nesse contexto, o acompanhamento odontológico precoce é essencial. “Consultas regulares ao dentista ajudam a prevenir complicações e facilitam tratamentos menos invasivos. Mesmo em estágios avançados, o profissional pode oferecer suporte importante para manter a saúde bucal e geral do paciente”, acrescenta Bernardes.

Quando há perda de dentes, os implantes são uma alternativa segura e eficaz, especialmente quando comparados a dentaduras ou próteses móveis, que costumam gerar desconforto. No entanto, o especialista alerta: “Como envolve cirurgia, o procedimento exige uma avaliação multidisciplinar cuidadosa para garantir a segurança do paciente”.

Além disso, a atenção à saúde bucal também se estende a outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Estudos da Universidade de Exeter, no Reino Unido, sugerem que a presença de determinadas bactérias na boca pode influenciar diretamente a função cerebral. 

A pesquisa, realizada com 115 pessoas com mais de 50 anos, identificou que algumas bactérias estão ligadas a melhor memória e atenção, enquanto outras podem contribuir para o declínio cognitivo.

A descoberta abre caminho para novas abordagens de prevenção: tratamentos que ajudem a equilibrar essas bactérias poderiam ser aliados no combate à demência. “Mais uma vez, fica claro que cuidar da boca é cuidar do corpo como um todo, inclusive do cérebro”, conclui Bernardes.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)