Saúde
por Gabriel Santana
Publicado em 30/09/2025, às 06h00
Um dos principais desafios da sociedade é encontrar maneiras para continuar pautando as discussões sobre a saúde mental durante o ano inteiro. Para isso, é preciso colocar algumas ações comprovadas cientificamente em prática. No Brasil, a campanha “Setembro Amarelo” foi adotada em 2015 e, ano após ano, percebe-se que a preservação à vida não é um problema a ser abordado apenas no mês de setembro.
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Pessoas estão se liquidando por diversos motivos individuais, pressionados pelas atividades profissionais e estudantis diárias, questões psicológicas e outras variáveis. É preciso achar uma maneira efetiva de demonstrar que toda vida tem sua importância.
O suicídio é uma tragédia bem preocupante e é preciso que a sociedade atue em conjunto com especialistas da ciência, ações efetivas do Estado, de maneira conjunta, contribuindo positivamente para discussões relacionadas a essa problemática sejam abordadas e a conversa alcance todas as classes sociais.
Um dado divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), relacionado a preservação da vida e que merece uma atenção para ser percebida em si ou em pessoas pertencentes ao seu círculo social: Durante todos os anos, 727 mil pessoas se matam e existem mais pessoas que tentam tirar a sua vida;
Como discutir o tema sem tabu
É de suma importância que o tema não seja relativizado, como se fosse algo bobo ou uma fraqueza humana, mas sim, tratado como um problema sério de saúde pública. Para isso, é preciso discutir medidas eficientes, acessíveis, baseadas em dados científicos comprovados e profissionais da área bem capacitados.
Um dos deveres do Estado, previstos no Artigo 5° da Constituição Federal, diz que: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.
De acordo com o Ministério da Saúde, o ato de tirar a própria vida é um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, religião, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. Não existe um público alvo, ninguém está imune e por isso que é preciso ter muita atenção aos sinais
Pensando nessa questão, o BNews entrou em contato com Andresa Oliveira, psicóloga do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), em Salvador, para entender um pouco sobre como continuar falando de saúde mental durante o ano inteiro e, além disso, entender como o trabalho é realizado por profissionais capacitados. Confira a entrevista:
1- Qual o papel do SUS e da atenção básica no cuidado contínuo da saúde mental?
O papel do SUS e da atenção básica é garantir o direito e acessibilidade com ações para promover bem estar, atuando de forma preventiva de outros adoecimentos. Uma vez, o adoecimento mental instalado, é tratamento teria que ser garantido pela rede, em locais especializados à reabilitação, à inserção em atividades no território e contribuir com a diminuição do estigma nas discussões de transtorno de adoecimentos mentais.
2- A partir da sua vivência na rede pública, o que ainda precisa ser melhorado para garantir um serviço de qualidade e acessível, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade?
Hoje, a gente tem serviços no território: a Rede de Apoio Psicossocial (Raps), Centros de Atenção Psicossocial (Caps), funcionam de segunda a sexta de 8 às 16 horas, alguns das 7 às 17 horas. As pessoas também têm crise, têm adoecimento sábado e domingo. Para onde essas pessoas vão? Então, é garantir acessibilidade e o direito que as pessoas tenham possibilidade de se tratar a qualquer horário, a qualquer momento. Existem alguns modelos que favorecem isso, mas infelizmente, na nossa cidade, acabam não funcionando. É um serviço de porta aberta, fica no território, tem bairros de referência, então as pessoas podem ir lá se tratar, tem acompanhamento com psiquiatra, com psicólogo.
3- Você acha que a capacitação dos profissionais recém-formados em relação ao cuidado com a saúde mental está evoluindo? O que ainda falta?
Eu percebo uma melhora nas faculdades trabalhando sobre isso. E cada vez mais falando sobre depressão. Os artistas falam muito sobre isso, as redes sociais falam muito sobre isso, então eu vejo um movimento muito maior hoje de atenção à saúde mental. Também é muito importante garantir que políticas continuem existindo, sendo cumpridas.
Quando eu formei não tinha estágio em saúde mental, hoje já vejo estágio em CAPS, então tem melhorado bastante. Ainda faltam mais espaços de estágio, mais espaço de atuação, mais políticas públicas, ações voltadas para o coletivo também. Às vezes, é muita gente para poucos profissionais, então ações coletivas.
4- Como a sociedade pode seguir debatendo os transtornos mentais sem deixar o tema restrito a campanhas sazonais, como o Setembro Amarelo?
Falar sobre autocuidado, adoecimentos e transtornos mentais e saúde mental o ano inteiro. Tentar continuar debatendo em propagandas, em políticas, em debates. Pessoas falando dos seus sintomas, como começaram, quando procuraram tratamento, as melhoras que obtiveram. Quando a gente fala, artistas, influenciadores sobre suas questões, seus sintomas. Nos filmes, séries, tudo isso contribui para diminuir o estigma em todos os meses.
5- Qual o papel de amigos e familiares no apoio a pessoas próximas que possam estar passando por dificuldades emocionais?
"Os amigos e os familiares têm um papel muito importante no tratamento que é apoiar. Ler sobre os sintomas, as pessoas que não entendem acham que a pessoa está fazendo para irritar, para aumentar a raiva, para se vitimizar. Então, a informação também é muito importante, e apoiar. É estar junto, incentivar fazer o que a pessoa fazer coisas que ela costumava gostar. É estar junto, é estar com, é estar perto, é ligar, mandar mensagem, se colocar disponível, todos os dias e não só no momento de crise”.
6- Quais sinais de alerta sutis as pessoas podem observar em si mesmas, e como inserir práticas de cuidado com a saúde mental no dia a dia?
"Eu costumo falar que a gente precisa prestar atenção nas pessoas. Era uma pessoa que era muito falante e começou a falar um pouco menos? Uma pessoa que ganhou ou perdeu muito peso? Uma pessoa que está se mostrando triste, desesperançosa ou teve uma mudança rápida de comportamento? Ou está com limiar mais baixo, mais irritada, mais agressiva, mais tímida, menos falante, está dormindo mais, está dormindo menos, está se atrasando, está deixando de estudar, começou a ter um discurso mais desanimado, mais triste, mais desesperançoso. Quando a gente presta mais atenção nas pessoas, a gente percebe”.
A psicóloga Andreza Oliveira explicou sobre quais práticas podem ser inseridas no cotidiano focando em melhorar a saúde mental, confira:
Centro de Valorização da Vida
O Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail e chat 24 horas, todos os dias.
Ao ligar para o número 188, é possível ser atendido por um voluntário, com respeito, anonimato, que guardará estrito sigilo sobre tudo que for dito. Os voluntários são treinados para conversar com todas as pessoas que procuram ajuda e apoio emocional.
Atendimento gratuito
Para buscar apoio através de atendimento com profissionais de saúde mental, de forma gratuita, na capital baiana, basta recorrer aos serviços oferecidos pela prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Atualmente, o município, através da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), dispõe de vários pontos de atenção à saúde mental que desempenham uma função muito importante referente à valorização da vida.
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