Saúde
A queda de cabelo durante o tratamento do câncer é um assunto comum entre os pacientes oncológicos, principalmente entre as mulheres. Enquanto algumas não se importam com esse efeito colateral, outras sentem bastante o impacto na autoestima.
Foi o caso da assistente social Eva Barbosa, que recebeu o diagnóstico de câncer de mama com apenas 38 anos. Ela lembra que fatores como o uso prolongado de anticoncepcionais, o sedentarismo e uma alimentação desregrada contribuíram para o surgimento da doença.
"Eu fui diagnosticada, eu estava com 38 anos, ou seja, menos de 40. Nessa época, foi pelo uso muito excessivo de anticoncepcionais. Tive meus filhos planejados, mas a prevenção, de não ter filhos, me expôs a um uso muito forte de hormônios. Isso, junto com outros fatores, levou ao câncer", explica.
O tratamento trouxe desafios emocionais, especialmente com a queda de cabelo. "Com medo do mundo, dos olhares, de mim", lembra Eva. "O tempo de todo o tratamento. Era difícil olhar no espelho, e difícil também mostrar-me para o meu marido, que foi um parceiro incrível durante todo o tratamento."
Para lidar com essa fase, ela encontrou forças na fé e no apoio da família.
"Por incrível que possa parecer, meu médico falou-me de fé, e foi nisso que me agarrei. Além da minha fé, o amor da minha família, do meu marido e dos meus filhos. Toda essa rede de amor me fortaleceu para enfrentar todo o tratamento. Na prática, me joguei no meu trabalho e no curso que eu estava fazendo na universidade federal. Sempre que eu estava na cadeira da quimioterapia, era nisso tudo que eu pensava, era para casa que eu queria voltar."
Driblando a tristeza
Eva também recorreu a acessórios como tocas de lã e crochê, que traziam leveza ao dia a dia.
"Eram divertidas, coloridas e faziam sucesso no trabalho. Na época eu trabalhava com crianças e elas adoravam quando eu chegava com uma toca diferente", contou aos risos.
Além da quimioterapia, Eva passou por cirurgias complexas e reconstrução mamária. Ela detalha:
"Comecei para expandir a pele da mama, porque tiraram totalmente a mama comprometida, inclusive 21 linfonodos do braço esquerdo, por precaução. Foram sete micronódulos cancerígenos, todos encapsulados. O corpo reagiu para combater a doença, mas os médicos queriam ter certeza de que nada escaparia."
As limitações físicas após o procedimento são significativas. "Hoje meu braço esquerdo tem limitações. Não posso exercer pressão, pegar peso ou me ferir. Faço drenagem linfática quando necessário. Posso fazer musculação apenas na parte inferior do corpo, porque não posso pegar peso com esse braço. Mas sou feliz, graças a Deus."
Eva optou por iniciar a reconstrução imediatamente após a retirada da mama, utilizando um expansor para preparar a pele. "A cirurgia definitiva foi feita em 2015. Hoje minha mama não tem bico nem auréola, mas me sinto bem, consigo usar roupas decotadas e biquínis. Não quis mais passar por cirurgias ou tatuagens. Minha prótese é permanente e só preciso acompanhar sua integridade."
Mesmo com limitações físicas e hormonais (Eva entrou na menopausa precoce e não pode fazer reposição hormonal), ela mantém a vida equilibrada e feliz. "Os meus cabelos voltaram, mas não são mais volumosos como antes, e minha vida sexual exige cuidados, uso lubrificantes. Mas vivo tranquila e realizada. Tenho um parceiro maravilhoso que me apoia e me estimula em todos os aspectos."
Ao refletir sobre a superação, ela deixa uma mensagem clara:
"O importante é a vida. Cabelo cresce."
Classificação Indicativa: Livre
som poderoso
Imperdível
Smartwatch barato
Limpeza inteligente
copa chegando