Saúde

Conheça a trend que virou febre nas redes pela busca do sono perfeito

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Trata-se da busca por otimizar ao máximo as horas de sono; entenda  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Freepik
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 19/05/2025, às 10h55 - Atualizado às 12h22



Antes de dormir, muitos seguem uma verdadeira maratona de rituais: meditação, suplementos, kiwi, relógio para monitorar o sono, aroma de lavanda, ajuste da temperatura do quarto, sons relaxantes, luzes suaves, travesseiro massageador, cremes faciais, óleos noturnos, touca, máscara para os olhos e outros hábitos que se popularizaram nas redes sociais. 

Esse fenômeno ganhou nome: sleepmaxxing. Trata-se da busca por otimizar ao máximo as horas de sono, recorrendo a práticas, acessórios e tecnologias para alcançar o “sono perfeito” - além de incluir rotinas de beleza. A tendência conquistou a geração Z e já soma milhões de postagens no TikTok. Mas será que tudo isso é realmente necessário?

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Especialistas alertam que o excesso de preocupação pode transformar o ato natural de dormir em uma tarefa estressante. A obsessão pelo sono impecável já ganhou até nome: ortosonia. “O hipercontrole pode gerar ansiedade, justamente a emoção que mais atrapalha o sono”, explica a psicóloga Daniela Faertes, especialista em neurociências, ao jornal O Globo. “Vivemos uma época em que tudo vira mania, e falta paciência para apostar em hábitos simples e colher resultados ao longo do tempo. É uma sociedade imediatista”.

A médica do sono e otorrinolaringologista Maíra da Rocha, colaboradora do Laboratório do Sono da UniRio, relata ao jornal O Globo que é comum receber pacientes preocupados com dados de relógios inteligentes. “A tecnologia monitora o tempo e os estágios do sono, mas a maioria dos algoritmos não é tão precisa. Muitas vezes, percebo em conversa que o sono é reparador, mesmo que os números não indiquem isso”, explica.

A designer Mariana Borges viveu essa experiência: passou a checar o relógio toda vez que acordava à noite, preocupada em atingir a fase REM, essencial para memória e regulação emocional. “Começou como brincadeira, mas virou obsessão. Precisei de ajuda para perceber que estava me atrapalhando. Acabava despertando ao olhar a tela de madrugada”, conta.

Além dos relógios, há aplicativos, anéis e uma variedade de acessórios voltados ao sono. Maíra alerta para o uso indiscriminado de melatonina sem orientação médica - que pode desregular o sono e causar sonolência excessiva - e condena práticas como fitas para fechar a boca e dilatadores nasais, comuns no sleepmaxxing: “Há risco de sufocamento, é perigoso”.

O mercado global de produtos para o sono segue em expansão e deve movimentar cerca de US$ 432 bilhões em 2024, segundo a Statista. No segmento de beleza, cremes noturnos se multiplicam, das marcas populares às luxuosas. A Estée Lauder, por exemplo, contratou o neurocientista Matthew Walker, da Universidade da Califórnia, como consultor global de ciência do sono.

O dermatologista Daniel Coimbra, da Clínica Onne, destaca que o skincare noturno faz sentido, já que a pele está mais receptiva e menos exposta a agressores. Ele recomenda limpeza e uso de ativos específicos, como retinoides e ácidos esfoliantes, para potencializar a regeneração. No entanto, alerta para o exagero: “A maioria dos rituais postados é mais performática do que eficaz. O excesso pode causar irritações e sobrecarregar a pele”.

Apesar dos exageros, há consenso de que a atenção ao sono é positiva, especialmente diante do uso excessivo de telas e da dificuldade de relaxar à noite. Conteúdos sobre higiene do sono divulgam hábitos realmente eficazes: praticar exercícios, evitar telas antes de dormir, manter o quarto escuro e silencioso, e expor-se à luz natural ao acordar.

“A maioria dos adultos precisa de sete a nove horas de sono para se sentir bem”, afirma Maíra. “Não deveríamos precisar de tanto esforço para dormir. A tecnologia pode ajudar, mas é preciso saber usá-la com equilíbrio.”

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