Saúde

Docinho pós-almoço? Entenda o que ocorre no seu corpo, segundo a ciência

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Sabe aquela vontade de comer um docinho depois de uma refeição?  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Freepik
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 06/08/2025, às 14h07



Sabe aquela vontade de comer um docinho depois de uma refeição? Muitas vezes a gente não sabe porque vem esse desejo, mas uma coisa é certa: Nós, meros mortais, necessitamos de um doce. 

O comer é uma prática que envolve vários fatores, como biológicos, psicológicos, sociais e ambientais. Os cientistas já formularam várias teorias para explicar esse fenômeno. Uma delas é que os alimentos como frutas e amidos são fonte de energia rápida e, assim, garantiram a nossa sobrevivência no passado. Ou seja, isso poderia ser uma adaptação evolucionária.

Os especialistas em nutrição entendem que o desejo por algo açucarado é uma necessidade natural dentro de uma dieta. A questão é o equilíbrio, que não pode ser ultrapassado. Veja alguns métodos por trás daquela “larica” depois da refeição.

Hábito e cultura

O condicionamento psicológico, influência cultural e hábitos diários podem ser associados positivamente com o açúcar. Isso inclui vivências da infância, situações sociais e até mesmo o estresse. Quando uma pessoa tem o hábito de consumir diariamente um doce após as refeições, o cérebro se acostuma e a vontade aparece constantemente.

O paladar funciona da mesma maneira. Por exemplo: quando culturalmente se adoça tudo, isso influencia no desejo de tomar um café muito doce após as refeições.

Além disso, o desejo de comer um docinho pode ser uma forma de garantir ou prolongar a sensação de bem-estar após um dia estressante, tediante ou de muita felicidade. “Não existe vício em comida; o que existe é vício nas sensações que esses alimentos promovem", explica a nutricionista clínica e comportamental Camila Soldati Duarte ao UOL.

Para o bem da glicemia

Quando uma pessoa saudável come uma refeição rica em carboidratos e gorduras, as taxas de glicemia, quantidade de açúcar (glicose) no sangue, sobem rapidamente. O pâncreas, então, libera insulina para controlar esses níveis. Isso pode resultar no desejo de comer doce para manter o fluxo energético entre pessoas saudáveis.

No entanto, de acordo com a endocrinologista Andressa Heimbecher Soares, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia  de São Paulo (SBEM-SP), entre pessoas com diabetes ou pré-diabetes, "costumamos dizer que não se sabe o que vem primeiro: a vontade de comer doces ou o desequilíbrio do pâncreas".

O maior consumo de açúcar resulta na liberação de mais insulina pelo pâncreas, o que leva à maior necessidade dela nesse grupo. Esse último quadro é chamado de resistência insulínica pelos médicos. O funcionamento ruim do pâncreas também pode causar a vontade de comer mais doce para que a produção de insulina aumente.

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Falta de vitaminas

A nutricionista Julia Lorans Torres Bandeira Valois explica ao UOL que o estilo de vida, doenças crônicas ou má absorção de nutrientes podem levar à carência de vitaminas C e D, zinco, magnésio e vitaminas do complexo B.

Esses nutrientes participam da produção de neurotransmissores envolvidos na regulação do humor como serotonina e dopamina, além do bom funcionamento cerebral.

O desejo por açúcar após as refeições pode funcionar como uma forma de compensar a sensação de bem-estar que o organismo não está conseguindo suprir.

Por outro lado, deficiências nutricionais também estão associadas ao diabetes e, claro, ao controle da glicemia (taxa de açúcar do sangue), à secreção de insulina e à circulação e o metabolismo da glicose. Essa vontade, portanto, poderia ter a ver com a enfermidade.

Como não exagerar

De acordo com as especialistas, existem algumas técnicas para não exagerar quando surgir a vontade. São elas:

  • Investir em realizar refeições em locais tranquilos e livres de preocupação, medo, angústia e culpa;
  • Diferenciar o desejo de forma aumentada ou sem controle, observando se isso está relacionado a situações desafiadoras: Se for o caso, é importante apostar em atividades relaxantes, como banho, música ou caminhada;
  • Criar estratégias para não prejudicar o direito de ser feliz, como escolher frutas, porções reduzidas ou dias específicos para comer um doce;

Todas essas táticas podem ser úteis, mas é sempre importante conversar com um nutricionista ou um médico caso observe que tem sido difícil controlar impulsos que levam ao exagero.

Classificação Indicativa: Livre

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