Saúde

Entenda como dormir menos de 5 horas por noite pode ser um perigo silencioso para seu cérebro

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Uma pesquisa da Escola de Medicina de Harvard mostrou que dormir menos de cinco horas por noite tinha o dobro de risco de desenvolver Alzheimer e morrer  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Freepik
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 23/05/2025, às 11h08 - Atualizado às 11h41



Dormir bem é fundamental em todas as fases da vida. Mais do que garantir disposição e energia, o sono de qualidade é apontado por especialistas como um dos principais pilares para manter a saúde do corpo e da mente. O crescente interesse pelo tema impulsionou o avanço da medicina do sono e a abertura de clínicas especializadas, que investigam como a falta ou o excesso de sono pode impactar o desenvolvimento de doenças graves.

Sono ruim aumenta risco de Alzheimer e demência
Estudos internacionais reforçam a ligação entre sono insuficiente e doenças neurodegenerativas. Uma pesquisa da Escola de Medicina de Harvard com mais de 2.800 idosos mostrou que quem dormia menos de cinco horas por noite tinha o dobro de risco de desenvolver Alzheimer e morrer, em comparação com quem dormia de seis a oito horas.

Outro estudo europeu, com quase 8 mil participantes, concluiu que dormir seis horas ou menos por noite entre 50 e 70 anos aumenta em 30% o risco de demência.

Há como reverter o risco?
Apesar dos riscos, há boas notícias. Segundo o neurologista Andrew E. Budson, é possível reduzir a probabilidade de desenvolver demência ao adotar bons hábitos de sono. Pesquisas indicam que pessoas com predisposição genética ao Alzheimer conseguiram diminuir o risco da doença ao seguir rigorosamente práticas de higiene do sono.

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Por que o sono é tão importante?
Segundo o médico Daniel Cardinali, pesquisador emérito do CONICET e professor da Universidade de Buenos Aires, o sono é crucial para o equilíbrio do organismo. “A homeostase, que é a capacidade do corpo de manter a estabilidade interna e responder a estímulos externos, depende totalmente da qualidade do sono”, explica.

Para orientar a população, especialistas e entidades como a World Sleep Society elaboraram diretrizes de higiene do sono, um conjunto de práticas que ajudam a melhorar a qualidade do descanso e prevenir distúrbios. Entre as recomendações estão:

  • Manter horários regulares para dormir e acordar;
  • Evitar álcool e cigarro antes de dormir;
  • Não consumir alimentos pesados, picantes ou açucarados à noite;
  • Garantir um ambiente confortável, ventilado, silencioso e escuro para dormir.

O sono e a saúde do cérebro
Pesquisas recentes mostram que, durante o sono, o cérebro passa por um processo de “limpeza”, eliminando resíduos e toxinas acumulados ao longo do dia. Um estudo canadense publicado na revista Science Advances revelou que a privação de sono favorece o acúmulo de substâncias nocivas, prejudicando o desempenho cognitivo e aumentando o risco de demência.

O trabalho também aponta que a perda crônica de sono envelhece precocemente as células imunológicas do cérebro, o que pode desencadear problemas cognitivos graves. “A falta de sono reparador está associada à manutenção de processos inflamatórios crônicos, considerados a base de diversas doenças crônicas”, destaca Cardinali.

O neurologista Andrew Lim, da Universidade de Toronto, reforça que pessoas com sono fragmentado ou que acordam frequentemente durante a noite apresentam pior desempenho em testes cognitivos. A ativação anormal das células imunológicas do cérebro, normalmente acionadas apenas para combater infecções, é outro efeito negativo da privação de sono.

Qualidade da vigília também importa
Por fim, Daniel Cardinali destaca que, mais do que o número de horas dormidas, o importante é a qualidade da vigília. “Se a pessoa apresenta boa função cognitiva, atenção constante e não sente sonolência excessiva durante o dia, a qualidade do sono provavelmente está adequada”, conclui o especialista.

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