Saúde
por Héber Araújo
Publicado em 30/11/2025, às 11h36 - Atualizado em 01/12/2025, às 16h09
Após o médico Gabriel Almeida ser alvo da Operação Slim, da Polícia Federal, colegas especialistas em emagrecimento e nutrição vieram a público defender o profissional baiano. Segundo eles, as acusações contra o baiano são infundadas.
De acordo com as acusações, Almeida manipulava o princípio ativo da Tirzepatida, presente em diversos medicamentos de emagrecimento, como o Mounjaro. Entretanto, o médico Michael Lustosa defendeu o colega, apontando que a legislação brasileira permite a manipulação.
“Não é proibido manipular a Tirzepatida. A legislação brasileira permite a manipulação de medicamentos quando existe prescrição médica individualizada, realizada por profissional habilitado, e preparada por uma farmácia de manipulação regularizada pela Anvisa e CRF”, disse.
O médico ainda apontou que a Lei 9.279/96, no seu artigo 43, inciso III, afirma que o médico pode prescrever e uma farmácia pode manipular o princípio ativo, desde que cumprindo todos os requisitos instituídos pela Anvisa para a manipulação. O inciso aponta ainda que é preciso ser uma receita individual, feita especificamente para um paciente, com base em suas necessidades.
“Quem é o médico que mais entende sobre Tirzepatida no Brasil? Dr. Gabriel Almeida. Quem é o cara que mais pode tirar vendas do Mounjaro nas farmácias e da indústria farmacêutica? ele próprio. E quem foi a empresa responsável pela denúncia? A Lilly. Isso incomoda quem vende os remédios industrializados por preços muito mais altos”, acusou.
A reportagem entrou em contato com a farmacêutica, em resposta, a Lilly afirmou que não vai se manifestar sobre as acusações.
“Ninguém está fazendo nada oculto ou ilegal. O foco continua sendo a saúde e segurança dos pacientes”, destacou. O médico ainda defendeu o colega afirmando que Almeida é professor e que ensina médicos a fazer os tratamentos com cuidado e segurança para proteger os pacientes.
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Além de Lustosa, que também saiu em defesa de do médico acusado foi a coach especialista em nutrição, Ursula Domingues, que ressaltou o decreto da Anvisa, publicado em agosto de 2025.
Segundo relatou, a agência de vigilância sanitária determinou que a manipulação da Tirzepatida e permitida, desde que exista medicamento registrado no Brasil com a molécula, com o insumo importado com laudo e não seja para produção industrial.
Em resposta aos questionamento da equipe do Bnews A Lilly afirmou que as versões da tirzepatida que são manipuladas não tem segurança além de representarem um risco para a saúde das pessoas. "Ninguém deveria ser autorizado a vender medicamentos não testados, não regulamentados e não comprovados".
Como empresa farmacêutica levamos a segurança do paciente a sério e manifestamos nosso total apoio ao trabalho conjunto da Anvisa e da Polícia Federal na investigação, conhecida como Operação Slim, que, embasada na legislação vigente, visa proteger a saúde pública de práticas irregulares envolvendo medicamentos manipulados.
Tanto a Anvisa quanto a Polícia Federal possuem uma trajetória sólida e reconhecida na defesa dos usuários e da saúde pública, sempre tratando esses valores como prioridade absoluta. A Lilly segue acompanhando de perto o andamento dessas ações.
Temos alertado há muito tempo sobre os graves riscos à saúde associados à manipulação em escala industrial. As imagens divulgadas na operação de hoje reforçam essas preocupações: locais de fabricação em condições sanitárias inadequadas, materiais a granel armazenados ou descartados sem embalagem apropriada, e produtos manuseados sem a esterilidade e os controles exigidos por lei.
Este incidente destaca novamente como esses medicamentos manipulados em escala industrial colocam vidas em perigo. Produtos adquiridos de fontes não regulamentadas não oferecem nenhuma garantia sobre o que está sendo injetado no corpo dos pacientes. Esses produtos não são testados, não são regularizados e podem representar riscos de segurança potencialmente fatais. Os pacientes necessitam de medicamentos seguros, eficazes e clinicamente testados — não imitações que trazem risco à sua saúde.
A Lilly não fornece tirzepatida para farmácias de manipulação, clínicas médicas, centros de bem-estar, varejistas online ou qualquer outro fabricante, e a maioria das pessoas não tem ideia de que os medicamentos manipulados que estão tomando podem vir de fontes estrangeiras perigosas e ilícitas. Muitas das entidades estrangeiras que supostamente fabricam tirzepatida e a enviam para o Brasil nunca foram inspecionadas por qualquer agência reguladora – nem pela Anvisa, nem pela Food and Drug Administration (FDA, agência reguladora dos EUA).
As versões de tirzepatida manipuladas não tiveram sua segurança, eficácia e qualidade avaliadas pela Anvisa, e, portanto, representam riscos potencialmente graves para os pacientes. Ninguém deveria ser autorizado a vender medicamentos não testados, não regulamentados e não comprovados.
Continuamos preocupados com a produção industrial de medicamentos manipulados e outras práticas inseguras. A Lilly continuará cooperando plenamente com as autoridades, apoiando investigações e reforçando nosso compromisso de proteger a segurança dos pacientes contra os perigos representados por medicamentos ilegais e inseguros.
Entre as acusações, Gabriel Almeida é acusado de manipular a Tirzepatida sem autorização do fabricante, que detém a patente. Entretanto, através de seus advogados, o médico rebateu as acusações afirmando que a patente é industrial e que a própria Anvisa permite a manipulação.
“A Nota Técnica n° 200/2025 e o Despacho n° 97/2025 seguem autorizando a manipulação da Tirzepatida, desde que cumpridos os requisitos já estabelecidos. A patente industrial não altera essa possibilidade quando falamos de manipulação para uso individual, mediante prescrição”, disse o advogado Ricardo Cavalcanti, especialista em direito médico.
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