Saúde
Apresentados inicialmente como uma alternativa mais segura aos cigarros tradicionais, os cigarros eletrônicos, os chamados vapes, agora estão no centro de uma crescente preocupação médica.
Novos estudos evidenciam que os dispositivos podem provocar diversos danos ao organismo de quem o consome, afetando o coração, os pulmões, o cérebro e até a saúde bucal. As informações são da Folha de São Paulo.
Uma das pesquisas mais recentes analisou a névoa liberada por modelos populares de vapes e encontrou níveis alarmantes de metais pesados, como níquel, chumbo e antimônio.
A descoberta surpreendeu os próprios cientistas, que acreditaram, inicialmente, que havia um erro nos equipamentos de análise.
Novos estudos mostram prejuízo do uso de vapes para saúdehttps://t.co/dk3aF13tpz
— Folha de S.Paulo (@folha) July 11, 2025
Logo após uma tragada, o vape provoca um pico na frequência cardíaca e contrai os vasos sanguíneos, o que pode levar ao enrijecimento das artérias. Segundo o professor James H. Stein, da Universidade de Wisconsin, em entrevista à Folha de SP, o uso frequente simula um quadro de pressão alta contínua.
A longo prazo, isso pode aumentar o risco de arritmias, AVC e infarto. Além disso, ao serem aquecidos, os líquidos usados nos dispositivos podem liberar substâncias cancerígenas como formaldeído e acetaldeído.
O uso dos vapes também está ligado à inflamação crônica nas vias respiratórias, podendo agravar quadros de asma, bronquite e outras doenças pulmonares. Há evidências de que os vaporizadores, especialmente os descartáveis e com sabores, contêm compostos que danificam as células pulmonares e aumentam o risco de câncer. Um exemplo extremo ocorreu em 2019, quando 68 pessoas morreram após o uso de vapes adulterados com acetato de vitamina E.
Assim como outros produtos com nicotina, os vapes reduzem o fluxo sanguíneo nas gengivas, facilitando infecções e inflamações. O uso contínuo também pode causar danos permanentes ao tecido gengival. Já a dependência é outro ponto crítico.
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Em entrevista ao jornal, Pamela Ling, da Universidade da Califórnia em São Francisco, afirmou que existem jovens que dormem com os vapes debaixo do travesseiro para usá-los assim que acordam.
A nicotina viciando rapidamente, especialmente em cérebros em desenvolvimento, pode gerar abstinência com sintomas como irritação, ansiedade e até depressão. Para piorar, os novos modelos no mercado estão ainda mais potentes. Já existem dispositivos que oferecem até 20 mil tragadas - o equivalente a cerca de 100 maços de cigarro.
Enquanto os riscos seguem em investigação, especialistas reforçam um alerta simples: “O bom senso diz, e sua mãe diria, que inalar um produto químico superaquecido direto para os pulmões não vai ser bom”, resume o professor James H. Stein.
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