Saúde
por Gabriel Bacelar e Victória Valentina
Publicado em 05/05/2026, às 10h01
Familiares de pacientes que perderam a visão após cirurgias de catarata realizadas na clínica Clivan, em Salvador, em fevereiro deste ano, seguem cobrando respostas quase três meses após o caso vir à tona. Nesta terça-feira (5), a Defensoria Pública da Bahia realiza uma reunião com eles para discutir os próximos passos.
As cirurgias foram realizadas no dia 26 de fevereiro, quando 26 pessoas passaram pelo procedimento na mesma sala. Segundo a última atualização feita pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), no dia 28 de março, 13 pacientes perderam a visão.
Em entrevista ao BNews, o presidente do Conselho Estadual de Saúde, Marcos Gêmeos, afirmou que o episódio deixou marcas profundas nas vítimas e expôs uma situação de abandono.
"Já são 62 dias desde que familiares e também pacientes passaram por aqueles momentos que a gente considera de terror. Pessoas que entraram na esperança de fazer um procedimento, um procedimento com expectativa de sucesso, mas que parte dessas pessoas saíram de lá sem a visão. São relatos de sofrimentos, de pessoas que estão arcando com as próprias despesas, sem nenhum tipo de contato com a Clivan", disse.
Ainda de acordo com Gêmeos, a reunião com a Defensoria visa ampliar o caminho em busca de respostas.
"Não dá para as coisas caminharem para a impunidade. Além das pessoas que perderam a visão, existem outros casos de pessoas que correram risco de ter lesões graves e outras que, mesmo sem lesões graves, ficaram com dificuldades após os procedimentos", pontuou.
O presidente também criticou a falta de retorno por parte do poder público e da clínica.
"A gente tentou buscar resposta junto à Secretaria Municipal de Saúde de Salvador e o que recebemos foi que o processo segue em sigilo. Até o momento, o que temos de relatos é que não houve sequer um contato dos responsáveis da clínica para dar assistência. As pessoas estão tendo que arcar com transporte, alimentação", destacou.
Impactos emocionais e financeiros
A filha de uma das pacientes afetadas, Eronildes Brito, relatou o impacto da situação na rotina da família. Segundo ela, a mãe, que antes era independente, hoje precisa de parentes até para atividades básicas.
"A situação da minha mãe está muito delicada. Ela vem sofrendo muito, afetou psicologicamente a vida dela e dos familiares. Ela era uma pessoa ativa, saiu de casa buscando melhorar a visão e voltou sem enxergar. Hoje, depende totalmente da gente para tudo", disse.
Eronildes também destacou os impactos financeiros enfrentados pela família, diante da falta de assistência.
"Estamos tendo que arcar com custos de medicamentos, colírios, transporte. Tem gente vivendo de ajuda de amigos e familiares. E até agora não tivemos nenhuma assistência da clínica, nenhum contato. (...) É uma sensação de impunidade muito grande. A gente cobra atendimento psicológico, cobra retorno, mas não temos resposta. As famílias vão esperar isso até quando?", desabafou.
A situação se repete na família de Edeni Silva, cujo pai também perdeu a visão. De acordo com ela, Nézio Figueiredo sentiu dores ainda durante o procedimento.
"Ele saiu de casa em busca de melhora, mas já na cirurgia sentia dor e não foi ouvido. Depois disso, foi só sofrimento. Hoje ele está cego, sem conseguir retomar a vida que tinha. A nossa esperança é que a Defensoria consiga entender a situação com sensibilidade e que a justiça seja feita. A gente quer acolhimento e resposta diante de tudo que aconteceu", afirmou.
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