Saúde

“Fiquei dois meses sem sair”: Câncer de mama abala autoestima e faz mulheres enfrentarem mudanças dolorosas no próprio corpo

Foto: Reprodução / redes sociais
Mulheres compartilham suas experiências e como lidaram com as mudanças físicas e emocionais após o diagnóstico de câncer de mama  |   Bnews - Divulgação Foto: Reprodução / redes sociais
Natane Ramos

por Natane Ramos

Publicado em 21/10/2026, às 07h00



O câncer de mama deixa marcas psicológicas e físicas, podendo afetar diretamente a autoestima da mulher. Impactos esses que vão além da queda de cabelo e podem afetar a identidade feminina.

Pensando no impacto do tratamento do câncer de mama na autoestima feminina, o BNews entrevistou mulheres que foram impactadas por essas mudanças e como isso interferiu na forma como elas se enxergam.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

"Marcas da vitória"

Para Vanessa Pessôa, suas cicatrizes não a afetaram e são símbolos de superação. "Minhas cicatrizes NUNCA me afetaram. Eu digo que são marcas da vitória", declarou a personal trainer e influenciadora que recebeu o diagnóstico da doença.

"Cheguei a fazer tatuagem nas costas de um projeto social lindo chamado Florescer do Rodrigo Catuaba e no mamilo eu fiz apenas a micropigmentação pra deixar a cor igual ao outro e não quis fazer nada na minha cicatriz dos seios. Ela não incomoda", declarou.

Vanessa descobriu o câncer cedo e não precisou passar por quimioterapia e nem radioterapia, fazendo a mastectomia radical com reconstrução do grande dorsal e iniciando o tratamento oncológico com o tamoxifeno, também conhecido como hormonioterapia. 

Foto: Reprodução / arquivo pessoal
Foto: Reprodução / arquivo pessoal

"Eu olho pra ela todos os dias e penso: eu venci! Elas contam uma história de sobrevivência, de escolhas difíceis e de continuidade. Posso dizer que não considero ter tido a minha autoestima afetada. Eu só queria estar viva e curada", declarou.

"Muito difícil aceitar"

O BNews também entrevistou a publicitária, artista e criadora de conteúdo Karlota Almeida, que ainda passa pelo tratamento contra o câncer de mama, e pontuou como a doença mudou a forma como ela enxergava seu corpo. "Eu sabia que eu ia ficar sem peito, eu já tinha trabalhado isso em mim também, porque foi uma longa caminhada até eu aceitar o meu peito, que ele sempre foi, sempre foi pequeno. E aí finalmente, quando eu aceito o meu corpo, ele tá ali mudando de novo, né? Eu sempre gostei de usar blusinhas mais curtas, barriga de fora. Eu não queria deixar isso para trás", declarou.

"E aí eu saía com uma meia, assim, né, no peito para encher. E aí um dia, uma amiga minha trans me viu na rua assim, a gente tava numa festa e eu tava morrendo de calor com essa meia no peito, ela falou: ‘Amiga, tira isso, cara. Quem é você agora é essa pessoa que tem um peito maior que o outro. Você é assim. Aceite isso. Abriu uma porta na minha mente. Falei: "Cara, é mesmo, né? Eu vou deixar de viver, deixar de ser bonita, me sentir bonita por causa disso. Não vou", revelou.

Karlota revelou que uma das partes dolorosas para sua autoestima, foi a cirurgia de mastectomia. "Foi muito triste eu despedir, eu fiz cerimônia para despedir do meu peito no antes da cirurgia de mastectomia", declarou a publicitária, que precisou passar por duas sessões de quimioterapia.

"Eu já tinha isso na cabeça, que ninguém passa pelo que a gente tem que passar, ninguém carrega a nossa cruz, o processo tá aí para fazer, eu tinha que fazer", refletiu.

Queda de cabelo

A queda de cabelo também foi sentida por Karlota. "Quando eu fiquei careca, quando meu cabelo começou a cair, foi uma semana depois da minha primeira quimio. Eu estava de trança. Eu acordei com uma trança solta já no meu travesseiro, eu olhei para aquilo, eu falei: 'eu não vou esperar o meu cabelo cair sozinho. Eu vou raspar'", declarou

"Foi muito difícil aceitar, eu fiquei praticamente dois meses sem sair de casa, sem nem olhar no espelho, porque eu não estava me reconhecendo. Mas eu sabia que eu tinha que lidar com aquilo", revelou.

Karlota revelou que se sente mais confiante após o impacto inicial. "Acho que eu sou muito mais linda, muito mais legal, muito mais interessante careca do que com cabelo, mas foi um processo", declarou.

"Aprendi a não ter vergonha"

Ao BNews, Kátia Oliveira revelou que recebeu o diagnóstico em 2020 e a sua visão sobre o próprio corpo mudou totalmente. "O câncer mudou profundamente a minha relação com o meu corpo. Antes, muitas vezes eu olhava para ele pensando no que precisava mudar, no que não estava bonito ou perfeito. Depois do câncer, passei a enxergá-lo de outra maneira. Hoje eu olho para o meu corpo e penso: esse corpo me sustentou quando eu achei que não conseguiria mais", relatou.

"Passei a ter mais respeito, carinho e gratidão por ele. As cicatrizes deixaram de ser apenas marcas de uma cirurgia e passaram a contar uma história. Uma história que eu não escolhi viver, mas que me ensinou muito sobre força, fragilidade, fé e sobre o privilégio de estar viva", informou.

Kátia revelou que a queda de cabelo e as mudanças no corpo afetaram diretamente a sua autoestima. "Existe uma diferença enorme entre ouvir que o cabelo vai cair e se olhar no espelho e perceber que aquela mulher que você conhecia está mudando diante dos seus olhos. A queda do cabelo mexeu comigo. As mudanças no meu corpo também. A cicatriz no seio, principalmente, me fez confrontar uma imagem que eu não reconhecia mais", declarou.

"Houve momentos em que eu não me sentia bonita. Houve momentos em que evitei olhar para determinadas partes do meu corpo. E acho importante falar isso, porque nem sempre conseguimos ser fortes o tempo inteiro", desabafou.

No entanto, com o passar do tempo Kátia começou a refletir sobre o que é beleza e entendendo mais sobre amor próprio e autoestima. "Com o tempo, fui entendendo que beleza não era mais sobre ter um corpo sem marcas. Era sobre reconhecer o valor daquele corpo que estava sobrevivendo. Hoje, quando olho para minha cicatriz, não vejo apenas uma cirurgia. Vejo uma mulher que passou por algo muito difícil e continuou. Não digo que amo todas as marcas. Algumas ainda me incomodam. Mas aprendi a não ter vergonha delas. Hoje uso meus cabelos curtos, me sentindo muito mais bonita que antes", concluiu.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)