Saúde

Mães atípicas fazem manifestação contra plano de saúde em Salvador

Mães se manifestam contra plano de saúde - Dandara Amorim/Bnews
Em manifestação contra práticas de plano de saúde, mães atípicas se reúnem em salvador  |   Bnews - Divulgação Mães se manifestam contra plano de saúde - Dandara Amorim/Bnews

Publicado em 09/01/2025, às 17h51   Dandara Amorim e Bruna Ferraz



Na manhã desta quinta-feira (9), um grupo de mães atípicas se reuniu para uma manifestação em frente à unidade da Unimed, na Avenida Tancredo Neves, no edifício Mundo Plaza, em Salvador. As mães com crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) denunciam que o plano de saúde não está obedecendo às determinações da Justiça com relação a prazos e atendimentos.

A mãe de duas crianças diagnosticada com TEA, Erica Cesário, afirmou ao Bnews que os filhos precisam de atendimento regular, mas a Unimed está tentando quebrar o vínculo. Erica também destacou que na última manifestação realizada pelas mães, a Polícia Militar (PM) chegou a ser acionada para a retirada das mulheres.

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“Eu estou com um chamado em aberto desde novembro do ano passado e a última manifestação que tivemos na Unimed nós fomos recepcionados, por solicitação da gerente do administrativo de atendimento, por duas viaturas da Polícia Militar. Nós não estamos pedindo, nós estamos exigindo o nosso direito. O direito nos assiste, nossos boletos são pagos e nossos filhos estão sem tratamento. Os meus mesmo estão sem tratamento desde julho”, contou.

Erica também contou que, em dezembro de 2024, entregou um relatório atualizado à Unimed, reafirmando o diagnóstico das suas duas crianças, mas ainda não conseguiu o atendimento que desejava. “Ligaram para mim, uma assistente social da própria Unimed, informando que eu ia ser transferida para uma clínica conveniada em Vilas do Atlântico, sendo que eu moro em Salvador. Eu não tenho como fazer o percurso até Vilas do Atlântico. Está totalmente fora do percurso da ANS [Agência Nacional de Saúde Suplementar]”.

Tais Lucide também acusa a Unimed de não oferecer o tratamento necessário para o seu filho de oito anos, que já faz tratamento há quatro anos e foi diagnosticado com TEA aos três anos. Segundo ela, o plano de saúde sempre agiu de maneira desrespeitosa com a sua família.

“Eles não estão oferecendo as terapias necessárias que os nossos filhos. São recorrências de processos: eles cancelam os planos de saúde, eles aumentam abusivamente, eles tiram terapia... eles estão tentando de toda forma impedir que os nossos filhos tenham acesso ao tratamento que é adequado”, disse.

A mulher disse que já entrou com algumas ações judiciais contra o plano de saúde, alertou que a organização tem deixado de pagar algumas clínicas que realizam os tratamentos ou mudam a clínica que presta esse serviço, desrespeitando o vínculo terapêutico.

“A criança autista não desenvolve rápido. É um processo bastante demorado e eles precisam criar um vínculo com os terapeutas e com o ambiente para se desenvolver. Esse processo de mudar de clínica, diante da rigidez cognitiva que eles têm, é prejudicial”.

Márcia Tais também foi uma das mães que marcaram presença na manifestação. A mulher, que disse estar questionando a postura do plano de saúde desde o ano passado, disse ao Bnews que a Unimed segue descumprindo ações judiciais e “querendo de qualquer maneira colocar as crianças em rede credenciada, que ela [Unimed] sabe não ter os profissionais habilitados para o que pede nos relatórios médicos das crianças”.

“Eles vêm procrastinando os processos, enrolando de forma vergonhosa a Justiça [...] A Unimed está mandando no judiciário da Bahia. É irreversível esse atraso no tratamento dessas crianças. Atrasando o tratamento, essas crianças ficam comprometidas de ambientes sociais e escolares, pois elas se desorganizam, não conseguem frequentar ambientes sociais e aqui nós somos um movimento pacífico, não queremos nada mais que colocar nossos filhos devidamente em terapias corretas. Não adianta fazer terapia e colocar em qualquer clínica como a Unimed quer”.

Destacando que todas as mães presentes no movimento são trabalhadoras e pagantes regulares do plano de saúde, Márcia Tais exigiu respeito à comunidade autista. A mulher, que tem um filho de seis anos diagnosticado há três, disse também que a Unimed recebeu a confirmação da condição do menino como uma sentença. “De lá para cá eu tenho três processos contra essa operadora de saúde. Para manter o meu filho no tratamento eu tive que acionar três vezes a Justiça”.

O que diz a Unimed

Questionada pelo Bnews sobre as queixas realizadas pelo grupo de mães, a Unimed enviou uma nota oficial declarando que os pacientes diagnosticados com TEA estão sendo direcionados para clínicas espiralizadas e capazes de oferecer o tratamento adequado. O plano de saúde também garantiu que esses assegurados permanecerão sendo atendidos.

A empresa também abordou o problema de clínicas que realizam práticas prejudiciais que refletem em todo o sistema de saúde, ressaltando que estas estão sendo “avaliadas rigorosamente”.

Confira na íntegra a nota da Unimed:

“A Unimed Nacional esclarece que está direcionando os atendimentos de beneficiários com Transtorno do Espectro Autista para clínicas especializadas em sua rede credenciada, preservando a qualidade do atendimento individualizado. O atendimento a esses beneficiários permanece assegurado.

Atualmente há uma preocupação do setor com certas clínicas que estabelecem uma prática de abuso na carga horária imposta aos beneficiários prejudicando o desenvolvimento da criança e onerando o sistema de saúde.

As unidades referenciadas são avaliadas rigorosamente e durante a transição, as famílias recebem suporte contínuo, com esclarecimento de dúvidas e visitas às clínicas, o que já gerou alta satisfação àquelas que aceitaram a movimentação.

A Unimed Nacional reafirma seu compromisso com a qualidade do cuidado e o respeito aos beneficiários, mantendo canais de comunicação abertos para avaliar as particularidades de cada caso e garantir uma assistência adequada.”

Classificação Indicativa: Livre

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