Saúde

Novembro Azul: Preconceito com exame de próstata deve ser rompido em nome da saúde

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Em entrevista ao BNews, médico urologista alerta para a necessidade de exame de próstata deixar de ser um tabu entre homens  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Portal da Urologia
Daniel Brito

por Daniel Brito

daniel.brito@bnews.com.br

Publicado em 26/11/2022, às 05h50



Tipo mais comum de câncer entre a população masculina, o câncer de próstata representa 29% dos diagnósticos da doença no Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), dvulgados no início do mês.

Segundo a instituição, 65.840 novos casos de câncer de próstata ocorreram a cada ano, entre 2020 e 2022. Homens com mais de 55 anos, com excesso de peso e obesidade, estão mais propensos à doença. Nessa esteira, o país deve registrar 704 mil novos casos de câncer por ano de 2023 a 2025. As regiões Sul e Sudeste concentram cerca de 70% da incidência.

Além disso, dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde revelam que, de 2019 a 2021, foram mais de 47 mil óbitos em razão desse tipo de tumor.

Mesmo diante de números tão alarmantes, a prevenção à doença ainda é considerada um tabu por uma boa parte dos homens, em especial por uma das formas mais comuns de rastreio da doença: o exame de toque retal, onde o médico urologista introduz o dedo indicador, lubrificado previamente e com o auxílio de luvas, no ânus, passando pelo reto até chegar à próstata, a fim de identificar alguma alteração.

A maneira como o procedimento é realizada leva muitos homens a desistirem de fazê-lo. Uma pesquisa realizada em 2017 pelo Instituto Datafolha, a pedido da Sociedade Brasileira de Urologia, do Instituto Oncoguia e da Bayer, revelou que 76% dos torcedores brasileiros identificam o exame importante para o diagnóstico do câncer. No entanto, 21% deles acham que o exame "não é coisa de homem".

Em entrevista ao BNews, o médico urologista Cassius Oliveira afirma que essa é uma tendência maior entre os homens mais idosos e que os mais novos geralmente têm menos resistência ao exame. O especialista cita ainda o acesso à informação como um fator importante.

"São pessoas que têm mais acesso à informação, ouvem rádio, leem na internet. Acabam vendo também pessoas próximas, tio, avô, irmão sofrendo pelo câncer de próstata. Com isso, veem que é uma situação evitável, que é possível não deixar chegar a esse estágio. Nas consultas, relatam essas experiências tristes de conhecidos e familiares", ressalta.

O exame deve ser realizado anualmente por homens com mais de 40 anos de idade. O machismo, de acordo com Cassius, ainda é uma realidade presente, o que impede a procura pelo procedimento. Ele, porém, avalia que essa é uma realidade que vem sendo transformada aos poucos, principalmente pelo crescimento do acesso à informação.

Para superar os estigmas, Cassius aconselha que os homens tenham a consciência de que o câncer de próstata, embora seja uma doença séria, tem altas chances de solução quanto mais antecipada por seu diagnóstico, o que está acima de qualquer conceito machista construído socialmente.

"É preciso saber que é uma doença que pode ser tratada precocemente, que pode ter cura, e que é possível ter qualidade de vida caso ela seja descoberta cedo. O câncer de próstata é uma doença cujo estágio inicial não apresenta sintomas, ou seja, não dói, não arde, não coça, a pessoa não sente nada. Mas o tumor está lá e muitos homens só vão fazer o exame de próstata quando chega a um estágio avançado", frisa.

Outro exame para detectar alterações na próstata é a dosagem de PSA, que recolhe amostras de sangue para avaliar a quantidade do antígeno prostático específico (PSA), proteína produzida pelo tecido da próstata e também por células cancerosas.

Classificação Indicativa: Livre

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