Saúde

Ozempic e Mounjaro causam problemas nos ossos? Veja o que se sabe

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Especialistas apontam que perda repentina de peso pode desencadear uma série de problemas no corpo humano, inclusive nos ossos  |   Bnews - Divulgação Foto: Unsplash
Matheus Simoni

por Matheus Simoni

matheus.simoni@bnews.com.br

Publicado em 24/05/2026, às 14h48



Um estudo recente aponta que medicamentos GLP-1 — incluindo Ozempic e Wegovy — podem estar associados a um risco ligeiramente maior de osteoporose e gota, de acordo com uma pesquisa apresentada este ano pela Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos. O Dr. John Horneff, professor associado de cirurgia ortopédica na Universidade da Pensilvânia e principal autor do estudo, afirmou que começou a investigar o assunto depois que alguns pacientes apresentaram rupturas graves de tendões após lesões relativamente leves.

As ocorrências levaram os pesquisadores a examinar se os GLP-1 poderiam afetar os ossos e outros tecidos conjuntivos de forma mais abrangente.

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Outro caso que chamou a atenção da comunidade médica foi a série de relatos da cantora americana Avery. Através das redes sociais, ela publicou um vídeo falando que desenvolveu osteoporose após usar Ozempic por um ano. Na publicação, a artista chora e faz um alerta: "Por favor, tomem cuidado com Ozempic se vocês não são pessoas que precisam tomar. É destinado a tratar diabetes e obesidade".

Pesquisadores apontam que o Ozempic e o Mounjaro não causam, diretamente, osteoporose. No entanto, a perda de peso repentina pode levar à queda na taxa de massa óssea do corpo, o que pode desencadear a doença.

"As pessoas estão tomando esses medicamentos e, obviamente, há muitos benefícios", disse o dr. Horneff. "Mas, com isso, elas começam a diminuir a ingestão de alimentos e nutrientes", alerta.

A osteoporose é uma doença que enfraquece os ossos e os torna mais propensos a fraturas, sucetíveis às quedas ou pancadas sofridas pelo corpo humano. A condição é comum para muitos idosos e para pessoas que perdem uma quantidade significativa de peso em um curto período de tempo. Já gota, por sua vez, é uma forma dolorosa de artrite que pode ocorrer quando o corpo apresenta excesso de ácido úrico, o qual pode ser proveniente de uma dieta rica em carne vermelha e álcool, bem como de perda de peso rápida.

Especialistas confirmam que, além do acompanhamento médico, é preciso que o tratamento com esses medicamentos seja individualizado e que outras mudanças de estilo de vida sejam associadas ao uso das substâncias emagrecedoras, como exercícios físicos, corridas e prática esportiva.

Prática esportiva
Prática esportiva diminui riscos na saúde de quem utiliza esses medicamentos (Foto: Freepik)

Taxas significativas

O estudo, que ainda não foi publicado em revistas científicas, comparou diversos pacientes que tomavam medicamentos das canetas emagrecedoras com pacientes que não os tomavam.

Os registros médicos não incluíam informações detalhadas sobre qual medicamento GLP-1 cada paciente estava tomando, embora os medicamentos documentados incluíssem semaglutida, vendida como Ozempic e Wegovy , e liraglutida, vendida como Victoza e Saxenda.

Segundo o estudo, aproximadamente 4% dos usuários de GLP-1 desenvolveram osteoporose, em comparação com pouco mais de 3% dos não usuários, representantndo um aumento de risco de cerca de 30%. Uma condição relacionada, a osteomalácia, que envolve o amolecimento dos ossos, foi rara, mas também ocorreu cerca de duas vezes mais frequentemente entre as pessoas que usavam GLP-1.

As taxas de gota também foram ligeiramente mais altas: 7,4% para usuários de GLP-1 contra 6,6% para não usuários, registrando um aumento de risco de cerca de 12%.

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