“Quando o paciente não perde peso mesmo se esforçando, investigamos hipotireoidismo (tireoide lenta), resistência à insulina e alterações dos hormônios sexuais, como na síndrome dos ovários policísticos.”
O hipotireoidismo diminui o ritmo do metabolismo, tornando a queima de calorias mais complicada. A resistência à insulina contribui para o acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal. O endocrinologista ressalta ainda que:
“A síndrome dos ovários policísticos provoca desequilíbrios hormonais que aumentam o apetite, inflamam o organismo e dificultam a resposta ao exercício e à dieta.”
A qualidade do sono também influencia na dificuldade de regular o peso. Quando a pessoa não dorme direito, o organismo tem menos energia e, consequentemente, o corpo entra em estado de alerta, dificultando o emagrecimento. A falta de sono prejudica a regulação de hormônios-chave, como cortisol, leptina e grelina.
Além da alimentação desregulada, o gasto energético realizado pelo metabolismo basal — que é a energia consumida pelo corpo apenas para manter suas funções básicas — e a atividade física diária têm grande influência no balanço calórico.
Outro ponto de alerta, segundo a nutróloga Isolda Prado, diretora da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), é a prática de dietas genéricas famosas nas redes sociais, que trazem riscos, pois:
“Esses planos ignoram a individualidade metabólica, o gasto energético, o ciclo hormonal (especificamente em mulheres), o ritmo circadiano (ciclo que regula o sono) e até as preferências alimentares. É fundamental investigar se há déficit calórico, disbiose intestinal, inflamações silenciosas ou deficiências nutricionais, como baixos níveis de vitamina D, magnésio, zinco e B12, nutrientes essenciais para o funcionamento adequado do metabolismo, do sistema imunológico e da produção de energia.”
Entre as recomendações estão a conscientização alimentar e a análise detalhada do que se consome, com registros para melhor controle.