Saúde

Saiba quais são os cinco alimentos típicos de festas juninas que mais causam refluxo

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Descubra como as festas juninas podem ser um desafio para quem sofre de refluxo e quais cuidados tomar para evitar desconfortos  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Divulgação

Publicado em 22/06/2025, às 08h59 - Atualizado às 10h22   Analu Teixeira



As tradicionais festas juninas, que tomam conta do Brasil nos meses de junho e julho, são sinônimo de alegria, música e comida típica. No entanto, para quem convive com refluxo, esse período pode ser desafiador. Isso porque boa parte dos pratos típicos é rica em açúcar e gordura — uma combinação que pode agravar os sintomas da doença.

Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), cerca de 25 milhões de brasileiros adultos sofrem com a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE). Para essas pessoas, a temporada de festas pode representar um risco à saúde.

Afinal, o que é o refluxo?
O refluxo ocorre quando a válvula entre o esôfago e o estômago — chamada de esfíncter esofágico inferior — não se fecha corretamente, permitindo o retorno do conteúdo gástrico. A condição é multifatorial e pode envolver até fatores genéticos. Entre as principais causas estão obesidade, tabagismo, consumo de álcool, cafeína e refeições muito volumosas ou feitas perto da hora de dormir.

Os sintomas mais comuns incluem queimação (azia), gosto amargo na boca, dor na parte superior do abdômen e dificuldade para engolir. Nos casos mais graves, o refluxo pode causar tosse crônica, rouquidão, inflamação da garganta, desgaste dos dentes e até aumentar o risco de câncer esofágico.

O tratamento envolve mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos e, em casos mais severos, cirurgia para correção da válvula.

Comidas típicas: uma armadilha
Apesar de saborosos, muitos alimentos típicos das festas juninas favorecem o retorno do ácido estomacal, provocando desconforto, azia e queimação. Além disso, a temperatura dos alimentos — especialmente os muito quentes — pode intensificar os sintomas e exige atenção redobrada durante os festejos.

O gastrocirurgião e endoscopista Eduardo Grecco, professor de Medicina da Faculdade do ABC, listou os cinco alimentos mais perigosos das festas juninas para quem tem refluxo:

1. Canjica — A mistura de açúcar, creme de leite e leite condensado favorece o relaxamento do esfíncter e retarda o esvaziamento do estômago, intensificando os sintomas.

2. Quentão — Por ser uma bebida quente e muito doce, estimula a produção de ácido no estômago.

3. Pé de moleque — Rico em açúcar e gordura, esse doce aumenta a pressão dentro do estômago, favorecendo o refluxo.

4. Pipoca — Quando preparada com muito óleo ou manteiga, pode dificultar a digestão e agravar os sintomas. O ideal é consumir versões com pouco ou nenhum óleo.

5. Bolo de milho — O milho, por si só, não é o problema, mas os ingredientes usados na receita — como açúcar, leite e gordura — podem piorar o quadro.

“O refluxo não pode ser encarado como algo simples”, alerta o especialista. “O retorno constante do ácido ao esôfago pode gerar inflamações, estreitamento do canal, pneumonia aspirativa e lesões que, a longo prazo, aumentam o risco de câncer de esôfago.”

Atenção à quantidade e ao horário
Além dos alimentos, o horário das refeições faz toda a diferença. Como as festas geralmente ocorrem à noite, comer pratos pesados antes de dormir agrava os sintomas. Deitar-se logo após comer favorece o retorno do ácido gástrico ao esôfago.

A nutricionista Aline Quissak, de Curitiba, reforça a importância da alimentação no controle do refluxo. “Nós somos, literalmente, o que comemos. A alimentação pode ser uma aliada ou uma inimiga da doença”, afirma.

Ela recomenda evitar alimentos ultraprocessados, café, chocolate, bebidas alcoólicas e laticínios integrais, que dificultam a digestão.

Para curtir a festa sem sofrer, siga estas dicas:

  • Coma devagar e em pequenas porções;
  • Reduza o consumo de frituras e bebidas alcoólicas;
  • Evite deitar logo após as refeições;
  • Mantenha horários regulares para comer;
  • Mastigue bem os alimentos.

“Esses cuidados já fazem uma enorme diferença na redução dos sintomas e na melhora da qualidade de vida”, conclui a nutricionista.

Classificação Indicativa: Livre

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