Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 16/10/2025, às 08h28 - Atualizado às 10h32
Um estudo publicado recentemente na revista Nature indica que decidir ser pai em idade mais avançada pode não ser mais recomendável, pois envolve riscos significativos. A ciência já possui evidências de que a idade paterna pode desempenhar um papel fundamental na saúde do bebê.
Genética envolvida
Entende-se que cerca de 80% das novas mutações genéticas (que não são herdadas de nenhum dos pais) provêm da linhagem germinativa paterna. Uma equipe de pesquisadores do Wellcome Sanger Institute, do Reino Unido, liderada por Raheleh Rahbari e Matthew Neville indicou um problema relacionado aos espermatozoides.
O que significa?
Chamado de seleção egoísta de espermatogônias, indica que as mutações genéticas não só mudam um gene, mas atribuem uma vantagem competitiva às células-tronco que produzem os espermatozoides, que são as espermatogônias.
As células modificadas se replicam rapidamente e com mais eficiências do que as mais saudáveis, gerando uma predominância sobre os gametas (espermatozoides) adequados.
Isso faz com que a porcentagem de espermatozoides que carregam as mutações “egoístas” aumente exponencialmente com o passar dos anos, de forma não linear. Dessa forma, um homem na casa dos 30 anos tenha 1 espermatozoide mutado a cada 50, enquanto aos 70 anos o número sobe para 1 espermatozoide mutado a cada 20.
Os cientistas usaram uma tecnologia de altíssima precisão, já que as técnicas padrão de sequenciamento atualmente apresentam uma taxa de erro que dificulta identificar mutações específicas.
A técnica chamada de sequenciamento duplex (NanoSeq) lê ambas as fitas da dupla hélice ao invés de apenas uma das fitas do DNA. Nesse caso, caso uma mutação seja detectada nas duas fitas exatamente no mesmo ponto, é praticamente impossível que seja um erro da máquina, tratando-se de uma mutação real.
Por conta dessa precisão, os pesquisadores puderam analisar mais de 35.000 mutações no esperma de 81 homens com idades entre 24 e 75 anos. Os resultados identificaram mais de 40 genes-chave nos quais essas mutações egoístas tendem a ocorrer.
A maioria está associada a distúrbios graves do neurodesenvolvimento, como o próprio autismo, ou até mesmo a um aumento da probabilidade de desenvolver câncer ao longo da vida do descendente.
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Novas revelações
O estudo também mostrou um comparativo entre as mutações no esperma com as das células sanguíneas dos mesmos homens. Homens que fumavam, consumiam álcool em excesso ou eram obesos apresentavam uma carga muito maior de mutações.
Porém, no esperma, não foi encontrada nenhuma correlação com esses fatores. As mutações se acumulavam a um ritmo oito vezes mais lento e pareciam imunes aos hábitos individuais.
Isso revela que os testículos funcionam como uma espécie de “santuário” biológico, um nicho protegido que o corpo se esforça para manter a salvo de fatores ambientais prejudiciais.
Mas na hora de decidir ter filhos, isso acaba mudando, já que, para evitar o acúmulo de mutações, seria interessante fazê-lo o quanto mais jovem melhor, tanto para homens quanto para mulheres.
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