Saúde
Durante entrevista, nesta sexta-feira (01), ao programa De Cara com o Líder na Rádio Baiana FM (89,3), comandado pelo vice-governador Geraldo Júnior, a psicóloga e sexóloga Mayara Magalhães abordou um tema delicado e pouco discutido: a sexualidade de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo a especialista, falar de autismo é também falar de uma sexualidade historicamente invisibilizada.
“A gente tende a enxergar a pessoa autista como um ‘anjo azul’, como uma eterna criança. Mas é importante lembrar que o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento, não físico. Ou seja, quando essa criança crescer, o corpo dela vai se desenvolver normalmente, os hormônios vão entrar em ação, e ela também vai sentir desejo, também pode viver uma relação amorosa”, explicou.
Mayara alertou para o tabu ainda existente entre familiares, especialmente no que diz respeito à masturbação, muitas vezes uma das primeiras formas de vivência sexual de pessoas autistas. “A minha dica é sempre orientação, não punição. É preciso ensinar como, onde, em que momento isso pode ser feito. Não se trata de dizer que é errado, mas de ajudar essa pessoa a entender regras sociais e de segurança”, disse.
Sobre os relacionamentos afetivos, Mayara reforçou que cada pessoa autista é única, e que o desejo e a forma de se relacionar variam bastante. “Alguns têm mais desejo, outros menos. Uns evitam o toque por hipersensibilidade sensorial, outros fixam demais o olhar ou têm dificuldade de se comunicar. Não dá para generalizar, mas é preciso compreender essas características e acolher a sexualidade dessas pessoas com empatia”.
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