Saúde
por Antonio Dilson Neto
Publicado em 05/06/2026, às 10h35
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesca de São Paulo revelou uma descoberta alarmante para a saúde pública: a bactéria Citrobacter telavivensis foi identificada pela primeira vez em alimentos no Brasil.
O micro-organismo em questão é classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como de prioridade crítica na lista de resistência a antibióticos.
📲 Mantenha-se informado! Siga o CANAL DO BNEWS NO WHATSAPP e receba as principais notícias diretamente no seu dispositivo. Clique e não perca nada!
A bactéria foi encontrada em amostras de ostras frescas adquiridas em mercados dos estados de São Paulo e Santa Catarina. O dado mais preocupante apontado pelos cientistas é de caráter regulatório: nenhuma das amostras analisadas teria sido reprovada nos testes tradicionais de inspeção sanitária vigentes no país, evidenciando uma brecha na fiscalização atual.
A resistência antimicrobiana já é reconhecida pela OMS como uma das dez maiores ameaças à saúde global. O problema, contudo, costuma ser narrado quase exclusivamente como uma crise restrita ao ambiente hospitalar. Os novos achados reforçam que as superbactérias romperam essa barreira e ingressaram de forma definitiva na cadeia alimentar, sem que os protocolos de monitoramento brasileiro tenham acompanhado a mudança.
O relatório GLASS da OMS apontou que uma em cada seis infecções bacterianas registradas apresentou resistência a antibióticos, um salto de mais de 40%. Em resposta, a Assembleia Mundial de Saúde aprovou um novo Plano Global de Ação para o período de 2026–2036. Projeções indicam que, sem intervenções drásticas, as superbactérias podem matar até 39 milhões de pessoas por ano até 2050, superando a mortalidade estimada por câncer.
As ostras funcionam na natureza como verdadeiras sentinelas ambientais por serem animais filtradores. Para se alimentar, elas bombeiam água continuamente e acabam retendo em sua microbiota tudo o que circula no ambiente marinho ao seu redor — incluindo vírus, metais pesados, resíduos de medicamentos e colônias bacterianas.
No estudo nacional, além da Citrobacter telavivensis (que foi registrada pela primeira vez no mundo em um hospital israelense em 2010), os pesquisadores isolaram cepas de Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli resistentes a antibióticos de última geração.
A pesquisa também acendeu o alerta químico: 35% das amostras de ostras analisadas apresentaram concentrações de arsênio acima do limite máximo permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A presença simultânea desses elementos ativou um fenômeno complexo conhecido como co-seleção. Segundo os pesquisadores, o arsênio e os resíduos de antibióticos descartados na água atuam em conjunto, selecionando e multiplicando as bactérias que são tolerantes a ambos. Com isso, o ambiente marinho poluído passa a funcionar na prática como uma estufa aceleradora de resistência bacteriana.
Classificação Indicativa: Livre
som poderoso
Som perfeito
Smartwatch top
Qualidade JBL
iPhone barato