Saúde
por Bernardo Rego
Publicado em 07/03/2026, às 05h00
O mundo digital e a internet são capazes de permitir o acesso a informações em tempo recorde. Recentemente surgiu mais uma tendência nas redes sociais afirmando que expor os testículos ao sol aumentaria os níveis de testosterona no organismo.
O Bnews conversou com dois especialistas para entender o que há de verdade nessa prática, quais riscos podem causar ao corpo humano e como deve ser feita a reposição hormonal. Segundo o urologista Felipe Pinho, do Hospital Mater Dei Salvador, "saúde hormonal não se resolve com modismo", por isso é preciso ter um acompanhamento especializado e individual de cada paciente para que se possa avaliar de forma criteriosa.
Pinho destacou que "não existe evidência científica consistente de que expor os testículos ao sol aumente os níveis de testosterona de forma clinicamente relevante. A produção de testosterona ocorre nas células de Leydig, nos testículos, sob estímulo do eixo hipotálamo hipófise testículo. O principal regulador é o hormônio luteinizante, não a exposição solar direta".
O urologista pontuou quais evidências científicas existem e quais riscos a exposição dos testículos ao sol podem causar. "O que existe na literatura é associação entre níveis adequados de vitamina D e níveis hormonais mais equilibrados. No entanto, isso não significa que “tomar sol nos testículos” aumente testosterona", contou
"É importante que o leitor se atente para alguns riscos dessa prática como: Queimaduras solares em pele extremamente sensível; Aumento do risco de câncer de pele, inclusive melanoma; Dor e inflamação local", detalhou.
O médico alertou para quais são os passos corretos para quem deseja melhorar os níveis de testosterona no organismo:
"Mudanças no estilo de vida são a primeira intervenção. Em casos confirmados de deficiência hormonal, pode-se indicar reposição sob acompanhamento médico", esclareceu o urologista.
O especialista fez questão de frisar que essas tendências que surgem rotineiramente na internet "costumam simplificar um tema complexo e ignorar riscos. Muitas pessoas adotam práticas sem qualquer comprovação científica e podem se expor a danos desnecessários. Além disso, testosterona baixa pode ser consequência de doenças como obesidade, diabetes, apneia do sono e depressão. Tratar apenas o “número” sem investigar a causa é um erro".
O médico também foi questionado se a questão da perda da "masculinidade" ainda é um tema levado ao consultório e como devem ser tratados os níveis baixos de testosterona.
"Reposição só deve ser indicada quando há sintomas e exames confirmando níveis baixos em duas dosagens matinais. Os métodos mais utilizados são: Injetáveis e géis transdérmicos. A escolha depende do perfil do paciente e acompanhamento médico regular é obrigatório. A preocupação com perda de “masculinidade” ainda é muito frequente no consultório. Porém, é importante diferenciar queda fisiológica relacionada à idade de hipogonadismo verdadeiro. Nem todo cansaço ou queda de desempenho significa deficiência hormonal. A decisão deve ser técnica, individualizada e baseada em diretrizes", concluiu.
Para entender os riscos da exposição dos testículos ao sol, bem como a pele em geral, o Bnews também conversou com a dermatologista Marilu Tiúba do Hospital Mater Dei Salvador. A médica destacou que a região dos testículos é bastante sensível e fina, o que aumenta o risco de queimaduras, ardor e desconforto, e essa exposição não é capaz de elevar os níveis testosterona.
"A exposição contínua à radiação UV aumenta o risco de câncer de pele na região, incluindo o tipo mais agressivo: melanoma. Que a luz do sol gera sensação de bem estar isso é indiscutível. O sol ativa nossa cascata fisiológica de Vitamina D e caso os níveis séricos do individuo estejam abaixo do ideal, recomenda-se a reposição oral com a dose que vai variar de um individuo para outro. É fundamental evitar a exposição solar nos horários de pico da radiação UVB, entre as 10h e as 15 h, seguir aplicando diariamente o filtro solar além de outros acessórios como roupas com FPU, óculos e bonés", alertou a dermatologista.
Marilu pontua que a melhor forma de relacionar com o sol é se protegendo dos horários de pico, aplicando filtro solar e mantendo o corpo sempre hidratado. Além disso, ela esclareceu que a cidade de Salvador já é quente e ensolarada, por isso já torna o indivíduo suscetível ao estímulo fisiológico para a fabricação de Vitamina D.
A dermatologista explicou, ao final, que de fato não existe bronzeamento saudável, nem mesmo quando o indivíduo fica exposto ao sol nas primeiras horas da manhã; "Todas as vezes que a pele “ queima” ela está reagindo a radiação ultravioleta B. Mas, vale lembrar que no começo da manhã a claridade já existe, temos a UVA e luz visível penetrando profundamente na pele, gerando o dano silencioso e que só mostra os danos a longo prazo. Aumentando o risco de câncer de pele, fotoenvelhecimento e piora das manchas. Quanto às crianças, dados recentes mostram que o uso do protetor solar nos primeiros 18 anos de vida diminui em 78 % a chance de incidência do câncer de pele não melanoma e apenas uma queimadura solar na infância aumenta em duas vezes o risco de melanoma. O bronzeamento não pode e nem deve ser estimulado. Se quer pegar uma "corzinha”. Abuse de alimentos ricos em beta caroteno e autobronzeadores. Respeite seu fototipo e acredite a conta do sol ela chega, ainda que demore", disse.
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