Ciência
Durante décadas, especialistas acreditavam que a taxa de 2,1 filhos por mulher seria suficiente para manter a população humana estável. No entanto, uma nova pesquisa liderada por cientistas das universidades de Nagasaki e Shizuoka, no Japão, aponta que esse número está desatualizado: o valor mínimo necessário para evitar a extinção demográfica seria de 2,7 filhos por mulher. O estudo foi publicado recentemente na revista científica PLOS One.
Segundo os pesquisadores, o cálculo tradicional de 2,1 filhos não considerava fatores cruciais da vida real, como a variabilidade estocástica - a aleatoriedade natural em aspectos como fertilidade individual, mortalidade, proporção de nascimentos entre meninos e meninas e o fato de algumas pessoas optarem por não ter filhos. Ao incorporar essas flutuações reais em modelos matemáticos populacionais, os autores concluíram que a taxa de fertilidade precisa ser maior para garantir a sobrevivência das linhagens familiares ao longo das gerações.
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A descoberta preocupa, já que atualmente dois terços da população mundial vivem em países com taxas de natalidade muito abaixo do antigo limite de 2,1 filhos por mulher - e ainda mais distantes do novo patamar de 2,7. Entre os países mais afetados estão Coreia do Sul (0,87), Japão (1,30), Itália (1,29) e Estados Unidos (1,66).
Apesar de o risco de extinção não ser imediato, os cientistas alertam que, sem um aumento nas taxas de natalidade, muitas famílias e culturas podem desaparecer progressivamente ao longo das gerações. O estudo reforça a necessidade de repensar políticas populacionais e estratégias de sustentabilidade demográfica diante desse novo cenário.
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