BNews Turismo
por Cibele Gentil
Publicado em 27/10/2026, às 05h20
Entre os inúmeros atrativos de Salvador, as praias da cidade estão no topo da lista de interesse para diversos moradores e turistas. Em qualquer época do ano, é comum encontrar as praias da Barra lotadas de banhistas, sobretudo nos fins de semana e feriados. Mas nem só de Porto e Farol se mantém o soteropolitano.
Os 64 quilômetros de orla no continente somados às ilhas que compõem a cidade podem oferecer múltiplas experiências. Os espaços se adequam a diferentes expectativas e necessidades, tanto para os habitantes locais quanto aos visitantes.
O recorte do litoral da capital baiana inclui uma grande extensão não apenas de praias de mar aberto como também as incluídas na geografia da Baía de Todos-os-Santos. Por estar localizada em uma área com morfologia tão diversificada, Salvador traz oportunidades para diferentes programações nas suas praias, seja junto às crianças, praticar surf, dar um bom mergulho, curtir entre amigos ou apenas estender a toalha na areia e relaxar ao sol.
Conforme explica a coordenadora do grupo gestor da Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais do Turismo (ABBTUR) Bahia, Jaci Lara Oliveira, o Farol da Barra divide as praias de Salvador que são banhadas pela baía e aquelas consideradas como sendo de mar aberto. Essa geografia possibilita experiências bastante diversificadas aos banhistas.
“O Farol da Barra é um marco geográfico, porque ali começa o que chamamos de mar aberto, ali começa o Oceano Atlântico. Ele marca a entrada da Baía de Todos-os-Santos”, informou a turismóloga. Essa particularidade proporciona faixas que possuem águas mais tranquilas ou mais agitadas, conforme a localização.
No entorno desses espaços, Jaci Lara, que é mestre em desenvolvimento regional e urbano e também em cooperação internacional em políticas de desenvolvimento, lembra que Salvador oferece uma rica lista de outros atrativos que podem ser considerados na escolha. Na hora de decidir qual praia visitar, as opções de museus, paisagens e equipamentos disponíveis podem acrescentar outros entretenimentos ao passeio.
“As praias da Boa Viagem e da Ribeira são praias da baía, então são praias calmas. Além de serem praias muito tranquilas e propícias ao banho, e também da própria beleza, a gente ainda tem a facilidade de estar próximo a outros pontos turísticos. A gente tem o Bonfim ali ao lado, tem toda a orla da Ribeira que se pode desfrutar, tem equipamentos culturais, como o Museu do Sorvete e o teatro da Casa Branca”, exemplificou Jaci Lara.
A orla da área ainda pode ser o ponto de partida para outros locais. “Da orla da Ribeira, tem-se a possibilidade também de pegar o barquinho e ir para Plataforma e comer no restaurante Boca de Galinha. Então, tem uma série de outras possibilidades”, acrescentou a turismóloga.
Sobre aquela região, a coordenadora da ABBTUR Bahia também citou as belezas e outras atrações relacionadas às praias de São Tomé de Paripe. As águas e areias da praia, localizada no Subúrbio Ferroviário, sofreu uma grave contaminação química em fevereiro de 2026. O local continua interditado para o banho, mas Jaci Lara acredita que a situação seja regularizada em breve.
“São praias maravilhosas. Está havendo um acompanhamento dos órgãos ambientais, por essa questão da contaminação. A gente não sabe por quanto tempo, mas é possível que já no verão ela esteja liberada. Todas as praias de lá são lindíssimas. Inclusive, a partir de São Tomé de Paripe é possível tomar o barquinho também e ir para a Ilha de Maré”, avaliou.
Ela também citou a riqueza histórica e turística que pode ser encontrada no entorno da Praia da Preguiça, no Comércio. “Ali a gente tem a Igreja da Conceição, o Elevador Lacerda, a Casa das Histórias, o próprio Mercado Modelo, a Cidade da Música, a Casa do Carnaval, tudo ao pé da praia que ali está”, listou a turismóloga.
Um dos locais destacados pela coordenadora da ABBTUR Bahia, que vale à pena ser descoberto por soteropolitanos e turistas, é a Vila Brandão. A praia mesmo é bem pequena e cheia de pedras. No entanto, o charme da praia é justamente estar escondida em uma comunidade que tem cada vez mais se organizado para receber os visitantes.
A Vila Brandão fica próxima à Igreja da Vitória, entre a Mansão Wildberg e o Yacht Clube da Bahia. Para chegar até lá, é necessário descer as escadas que levam à pracinha e à praia. “Ali tem uma comunidade super estruturada para o turismo. Muitos bares, restaurantes e tem um larguinho, uma pracinha com um mirante para o mar”, contou.
Jaci Lara também ressaltou outros aspectos do ambiente: “Descendo a escadaria, tem uma área de vegetação muito interessante, uma pequena porção de mata atlântica secundária que a gente ainda tem. E aí chega na prainha da Vila Brandão, que é muito bacana, pequena, praticamente uma praia exclusiva”, exaltou.
Subindo pela orla da cidade, Jaci Lara traz mais exemplos de como a vizinhança das praias da cidade oferta outras possibilidades, além do sol e banho de mar. Sob esse olhar, um dos locais sugeridos foi a Praia da Paciência, no Rio Vermelho.
“A pessoa está lá e aí vai na Casa do Rio Vermelho, vai na Casa de Iemanjá, vai na igrejinha, vai na praça comer um acarajé. Passa o dia na praia e, de repente, vai um show no fim da tarde, ou outra atividade cultural”, comentou.
Mesmo as praias consideradas um pouco mais distantes para os moradores de bairros centrais da cidade, há uma quantidade de atrações que podem adicionar o elemento cultural ao entretenimento. A turismóloga cita praias de Itapuã, como a Praia da Pedra do Sal e a Praia da Rua K.
Jaci Lara conta que também naquela região é possível usufruir da cidade de forma plena e estender a visita a locais como a Lagoa do Abaeté, a sede do bloco afro Malê Debalê, o Farol de Itapuã e o acarajé da Cira. “Ali perto tem a Casa Di Vina, que além de ser hotel e restaurante, tem também o Memorial Vinicius de Moraes”, lembrou.
Algumas das praias de Salvador possuem adaptações que ajudam pessoas com alguma limitação física a usufruírem do ambiente. Um exemplo é a praia de Ondina, localizada no trecho em frente ao Instituto Bahiano de Reabilitação (IBR). “Lá acontece, inclusive, um projeto social chamado ParaPraia”, pontou a turismóloga, falando de uma iniciativa que oportuniza a pessoas com deficiência possam curtir o mar com segurança.
“A praia para muitos é um lugar inacessível”, ponderou Jaci Lara, ressaltando a importância de projetos de inclusão. Os interessados em obter informações e acompanhar a programação para o próximo verão podem acompanhar o perfil oficial do projeto nas redes sociais (@parapraia).
A orla marítima da cidade dispõe de rotas de transporte público que chegam até a maioria das praias ou em pontos próximos. É possível consultar as linhas de ônibus, os pontos de parada e os horários em tempo real através de aplicativos e plataformas digitais. Em muitos desses locais, também é possível estacionar veículos em vagas de Zona Azul, geridas pela Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador).
As vagas rotativas têm o uso com valor variável a depender do tempo de ocupação. O padrão das taxas é de R$ 3 para até 2 horas, R$ 6 para até 6 horas e R$ 9 para até 12 horas de permanência. Contudo, os motoristas devem ficar atentos à sinalização das placas no local, pois em alguns casos a cobrança acontece de maneira diferenciada.
Outra dica é garantir que um aplicativo credenciado para o pagamento esteja previamente instalado no celular e que haja acesso à internet do dispositivo. Apesar de a aplicação do sistema de vagas Zona Azul atualmente ser totalmente digital, nem sempre há trabalhadores credenciados para a venda dos bilhetes no local indicado. Contudo, a fiscalização continua atuando e os veículos não habilitados para a vaga no período podem ser multados.
Um dos inconvenientes, especialmente em praias urbanas, é quem sempre as águas estão em condições próprias para o banho. Conforme alerta a turismóloga, é importante observar a sinalização e os boletins emitidos por órgãos de segurança e fiscalização, como a Coordenação de Salvamento Marítimo de Salvador (Salvamar) e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).
O trabalho da Salvamar é voltado para a segurança dos banhistas, buscando orientar o público e realizar resgates nas praias. O órgão mantém postos e módulos de observação distribuídos ao longo da orla, concentrando sua atuação principalmente no trecho que vai da praia do Jardim de Alah até Ipitanga.
Sobre a balneabilidade, o Inema divulga, semanalmente, um boletim sobre a situação das águas na capital baiana, classificando a praia como ‘própria’ ou ‘imprópria’ para o banho. “Salvador tem o privilégio de ter uma orla maravilhosa, mas é importante acompanhar a indicação em relação a balneabilidade e outras questões, como condições climáticas”, pontuou Jaci Lara.
Para que você possa aproveitar ao máximo as dicas sugeridas, preparamos uma seleção com dez praias que merecem entrar em seu roteiro e as principais características e serviços de cada lugar. Confira:
* Os preços foram pesquisados em outubro de 2026 e podem sofrer alterações. Confirme os valores diretamente com os comerciantes e estabelecimentos.
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