Vida

Entre o amor e a sobrecarga: mãe atípica compartilha os desafios da maternidade além do diagnóstico

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A história de Nadja mostra a importância da aceitação e da rede de apoio na jornada de uma mãe atípica  |   Bnews - Divulgação Reprodução/BNews TV
Mariana Bamberg

por Mariana Bamberg

Publicado em 10/05/2026, às 08h49



A maternidade nem sempre vem como muitas mães imaginaram ou sonharam. Para algumas mulheres, ela chega com diagnósticos, incertezas e uma rotina que nunca para. Mas vem também com um amor que aprende, todos os dias, a existir de outras formas.

É no cuidado especializado intenso e na readequação de expectativas que o amor de uma mãe atípica mostra uma de suas faces. Servidora pública, Nadja Carvalho não romantiza, mas também não aponta apenas dificuldades na maternidade atípica. “O cotidiano é angustiante, também é gratificante”, diz ela entrevista ao BNews.

É gratificante quando a gente percebe o avanço dele, percebe quando ele domina uma nova habilidade, faz algo que não está acostumado a fazer. E angustiante ao mesmo tempo, porque a gente fica pensando como é que vai ser. Por exemplo, eu pensava: “como vai ser quando Amir tiver 19 anos”, complementa.

Hoje, Nadja aprendeu que o segredo, para ela, é viver um dia de cada vez. Mas nem sempre foi assim. Quando a família recebeu o diagnóstico de autismo de Amir, hoje com 19 anos, foi um choque.

“Ele tinha dois anos. Na ocasião, eram 10 sintomas [relacionados ao autismo] e Amir tinha 8 dos 10. E isso, para mim, foi algo chocante, porque só tinha ouvido falar de autismo há anos em uma revista. Na época, ele estava com um problema de afta e ficava babando. Eu só conseguia pensar que ele ia ficar assim. Chorei meu choro uma noite inteira, conversei com meu esposo e depois disse: 'Bom, é isso, vamos viver um de cada vez'”, relembra.

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O próximo passo, para a família Nadja, foi contar para as pessoas próximas. E isso, segundo ela, é fundamental: “acho que, quando a gente esconde, quando não aceita o diagnóstico, a gente acaba negando eles”, afirma. 

Mas os desafios continuaram surgindo. Talvez o principal seja conciliar a maternidade típica e a atípica. Como permitir que a filha típica de 15 anos não tenha sua vida integralmente voltada para o diagnóstico do irmão é um trabalho diário. “Se eu não crio um mecanismo para que ela crie a capacidade de entender que tem uma vida para aproveitar, a gente acaba perdendo a família toda para o autismo

Apesar disso, Nadja não tem dúvidas que tudo fica mais leve por conta da rede de apoio ao redor. O esposo, a filha, a mãe, irmãos e amigos compreendem e ajudam como podem, o que não deveria ser, mas acaba sendo um privilégio que poucas mães têm. Foi esse apoio e estrutura familiar que fizeram com que Nadja não precisasse abdicar de sua própria história. 

“Ser mãe é isso, é saber que tem limitações. Você não é mais tudo, não é mais o centro. As nossas necessidades nunca vão ser as prioritárias. Ser mãe é achar esse equilíbrio”, finaliza.

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