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Publicado em 02/11/2026, às 06h30 Foto Unsplash | Ilustrativa Redação Bnews
A morte de um cachorro ou gato pode provocar uma dor tão intensa quanto a perda de uma pessoa próxima. Para 21% dos entrevistados que já passaram pelas duas experiências, a morte de um animal de estimação foi a perda mais dolorosa que viveram.
O dado faz parte de um estudo publicado em janeiro de 2026 na revista científica PLOS One e reacende uma discussão sobre o luto por pets, especialmente neste domingo (2), Dia de Finados.
Embora a data seja tradicionalmente dedicada à memória de pessoas que morreram, tutores que perderam seus animais também enfrentam a saudade e, muitas vezes, a falta de reconhecimento social pelo sofrimento. Na psicologia, esse fenômeno é conhecido como luto não reconhecido, quando a dor de alguém não recebe validação da sociedade.
Segundo a psicóloga Juliana Sato, especialista em vínculo humano-animal e luto pet, a literatura científica já descreve a morte de animais de estimação como um exemplo desse tipo de perda.
O estudo conduzido pelo psicólogo Philip Hyland, da Universidade de Maynooth, na Irlanda, ouviu 975 adultos do Reino Unido e investigou os sintomas de luto prolongado após a morte de animais e seres humanos.
Além do dado sobre os 21% que consideraram a morte de um pet a experiência mais dolorosa, a pesquisa identificou uma semelhança importante: os sintomas de luto prolongado se organizaram da mesma maneira nos dois tipos de perda.
Apesar disso, os principais manuais diagnósticos utilizados internacionalmente não reconhecem o transtorno do luto prolongado após a morte de um animal. Tanto a CID-11 (Classificação Internacional de Doenças) quanto o DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) restringem esse diagnóstico à morte de uma pessoa.
O autor do estudo defende que essa regra seja revista, conforme explica Juliana Sato.
No Dia de Finados, a pergunta sobre o que acontece depois da morte também pode fazer parte da experiência de quem perdeu um animal de estimação. A resposta depende das crenças de cada tutor, mas pesquisas indicam que a forma como essa pessoa enxerga o destino do pet pode influenciar a elaboração da perda.
Uma revisão sistemática publicada em 2025 na revista científica Omega reuniu 36 estudos sobre os vínculos entre tutores e animais após a morte.
Entre as pesquisas analisadas, um estudo italiano identificou que acreditar na existência de vida após a morte também para os animais estava associado a uma elaboração mais favorável do luto. Já a crença de que esse destino seria reservado exclusivamente aos seres humanos apareceu associada a um sofrimento mais intenso.
Outros trabalhos reunidos na revisão identificaram sentimentos de culpa entre tutores que acreditavam que seus animais estavam em um lugar ruim ou que eles próprios estavam sendo punidos pela morte do pet.
“Não existe uma crença correta para atravessar o luto. Existe a necessidade de que a pergunta sobre o destino do animal seja escutada, em vez de respondida às pressas com um era ‘só um bicho’ ou com uma promessa vazia”, explica Juliana Sato.
Manter lembranças e formas de conexão com um animal que morreu também faz parte do processo de luto. Na psicologia, esse fenômeno é chamado de vínculos contínuos e foi um dos aspectos analisados pela revisão publicada na Omega.
De acordo com a especialista, rituais, memoriais, lembranças e até sonhos ajudaram tutores a se sentirem menos sozinhos diante da perda.
Por outro lado, quando a relação com o animal que morreu permanece associada principalmente à culpa ou aos aspectos dolorosos da convivência, o sofrimento pode aumentar.
O Dia de Finados pode ser uma oportunidade para que tutores criem seus próprios rituais de despedida e homenagem. Acender uma vela, visitar o local onde estão as cinzas ou escrever uma carta para o animal são algumas das possibilidades mencionadas pela psicóloga.
A especialista também alerta para situações em que a saudade passa a comprometer a rotina. Quando, mesmo depois de meses, a dor impede a pessoa de trabalhar, dormir ou conviver, a recomendação é procurar ajuda profissional.
A forma como veterinários e profissionais de saúde lidam com a perda também merece atenção. Segundo a revisão científica, reações que minimizam o vínculo entre o tutor e o animal podem agravar o processo de luto.
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