Justiça
Publicado em 12/03/2026, às 14h36 Reprodução/Redes sociais Antonio Dilson Neto
O Supremo Tribunal Federalmanteve a decisão que anulou as condenações de acusados no Caso Evandro, crime ocorrido em 1992 em Guaratuba, no Paraná.
A decisão foi tomada pelo ministro Gilmar Mendes, que rejeitou recurso do Ministério Público do Paraná. Assim, continua válida a decisão do Tribunal de Justiça também do Paranáque anulou as sentenças e absolveu os réus.
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O tribunal entendeu que as condenações se basearam em confissões obtidas sob tortura. Sem esses depoimentos, não haveria provas suficientes para sustentar a autoria do crime.
Com isso, a absolvição permanece e o caso se encerra no STF.
Evandro Ramos Caetanotinha seis anos quando desapareceu em abril de 1992, em Guaratuba, no litoral do Paraná. O corpo do menino foi encontrado dias depois com sinais de violência.
A investigação passou a sustentar a hipótese de um ritual religioso, episódio que ficou conhecido nacionalmente como “Bruxas de Guaratuba”.
Sete pessoas chegaram a ser acusadas de participação no crime, entre elas a então primeira-dama da cidade, Celina Abagge, e sua filha, Beatriz Abagge, além de líderes religiosos e outros moradores.
Nos julgamentos realizados entre os anos 1990 e 2000, parte dos acusados foi condenada. Décadas depois, as defesas pediram revisão criminal alegando que as confissões foram obtidas sob tortura.
A revisão ganhou força após novas evidências analisadas pelo jornalista Ivan Mizanzukno podcast Projeto Humanos, que trouxe à tona gravações indicando violência durante os interrogatórios.
Em novembro de 2023, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná declarou a nulidade das provas e anulou as condenações de Beatriz Abagge, Davi dos Santos Soares, Osvaldo Marcineiro e Vicente de Paula Ferreira, este último já falecido.
Nas redes sociais, Osvaldo Marcineiroafirmou ter recebido a confirmação de que o Supremo manteve as decisões anteriores.
“Depois de mais de três décadas, finalmente chega ao fim um martírio. Hoje recebi a confirmação de que o Supremo Tribunal Federal manteve as decisões do STJ e do TJPR, encerrando de vez uma injustiça que me perseguiu por mais de 30 anos”, escreveu.
Beatriz Abbage também se pronunciou nas redes sociais sobre a anulação definitiva do processo.
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