Justiça
Publicado em 27/11/2025, às 14h10 Foto: Divulgação Claudia Cardozo
A prisão do empresário e ex-presidente da Câmara de Feira de Santana, Oyama Figueiredo, na Operação Sinete, nesta quarta-feira (26), revelou os nomes envolvidos em grande esquema de grilagem urbana, em Feira de Santana. O BNews, em julho deste ano, já havia noticiado que uma ação desencadeada pela Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) atingiria a elite feirense.
Além de grilagem, a operação investiga lavagem de dinheiro pelos envolvidos. O primeiro ato que levou à deflagração da Operação Sinete foi o afastamento da cartorária Mauracy de Carvalho Barretto, do 1º Ofício do Registro de Imóveis, na última segunda-feira (24). Ela foi afastada do cargo e também foi alvo de busca e apreensão em sua residência.
As apurações da Corregedoria apontaram o uso de um suposto "livro preto" de registros irregulares, indicando que a fraude era sistêmica dentro do cartório. A dimensão do esquema e os valores envolvidos levaram a própria Corregedoria a sugerir que as irregularidades "afetariam pessoas da elite da cidade", uma previsão que se confirmou com a prisão de Oyama, ex-vereador e empresário de Feira de Santana.
Quem é Oyama Figueiredo?
Oyama Figueiredo é classificado pelo Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Draco) como o organizador central e mentor intelectual da Operação Sinete. Seu papel era arquitetar a grilagem urbana e rural e a lavagem de dinheiro ao criar "cadeias dominiais" fraudulentas, utilizando procurações forjadas, certidões adulteradas e documentos falsos para dar aparência de legalidade à apropriação de imóveis milionários.
Oyama Figueiredo foi presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Feira de Santana de 1991 a 1994. Mesmo vivo, o ex-vereador e empresário dá nome a diversos prédios públicos da cidade. A história que contam na região é que os crimes cometidos por Oyama já eram conhecidos pela população, e que já era grileiro há mais de três décadas, além de praticar a lavagem de dinheiro. A população tinha um sentimento de impunidade, pois, até então, nada havia sido feito para barrar os esquemas do empresário, que lesaram várias famílias da cidade.
O esquema contava com o apoio direto dos filhos do empresário que também foram presos, além da atuação do advogado Roberto Cajado, também preso na operação. A organização ainda se beneficiava da participação de agentes públicos, como o subtenente da Polícia Militar José Marlos Viana, conhecido como Marlon, foragido da Justiça. Sua presença na gestão do cartório, conforme revelado pelas apurações, e seu envolvimento no esquema reforçam o uso da estrutura estatal para blindar as atividades criminosas. A presença do policial na gestão do cartório já havia sido identificada pela Corregedoria Geral, que estranhou a presença dele na atividade cartorária.
Bloqueio de R$ 60 Milhões
A dimensão do esquema levou a Justiça a determinar o bloqueio de até R$ 6 milhões por CPF dos investigados e de R$ 60 milhões por CNPJ. Nas buscas em casas luxuosas, o Draco apreendeu bens de alto padrão que indicam a lavagem do dinheiro do crime, incluindo 12 carros de luxo, duas motocicletas, joias e dinheiro em espécie.
O BNews tentou contato com a defesa dos investigados, mas até o fechamento desta matéria não conseguiu. O espaço contínua em aberto para manifestações.