Justiça

MPF inicia série de investigações sobre venda de lotes clandestinos em área de preservação no sul da Bahia

Àrea de preservação ambiental no sul da Bahia vira algo de investigação do MPF  |  Reprodução/Ibama

Publicado em 23/03/2026, às 04h00   Reprodução/Ibama   Bruna Rocha

O Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria da República no município de Eunápolis, deu início a uma ampla investigação para apurar a existência de loteamentos clandestinos em uma das áreas ambientalmente mais sensíveis da Bahia. Entre os dias 16 e 18 de março de 2026, o procurador da República Fernando Zelada assinou cerca de 30 portarias que convertem notícias de fato em inquéritos civis.

O foco das investigações é a Zona de Amortecimento (ZA) do Parque Nacional do Descobrimento (PND), localizada em Prado. Segundo os documentos oficiais, os loteamentos estariam sendo implementados sem a devida licença do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão gestor da unidade.

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A base das investigações é a Informação Técnica 01/2024, que detalha a ocupação irregular de diversos lotes (identificados individualmente nos autos, como os lotes 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, 35 e 41). A zona de amortecimento é uma área no entorno de unidades de conservação onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, com o objetivo de minimizar os impactos negativos sobre a biodiversidade do parque.

O Parque Nacional do Descobrimento protege um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica do país e possui valor histórico e ambiental incalculável. A instalação de loteamentos sem autorização ambiental compromete o equilíbrio do ecossistema e a preservação do patrimônio público e social.

Com a instauração dos inquéritos, o MPF determinou diligências imediatas, como a reiteração de ofícios ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) para obter esclarecimentos sobre as fiscalizações e autorizações na região.

Além disso, o órgão também destaca a necessidade de articulação com o Ibama, nos casos específicos dos lotes 25, 34, 35 e 36.

O MPF destacou ainda que a investigação ficará vinculada à 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural.

Por fim, o MPF ressaltou que  a ação usa como base a Constituição Federal de 1988, que estabelece como função institucional do Ministério Público a promoção do inquérito civil e da ação civil pública para a proteção do meio ambiente e de outros interesses difusos.

Caso as irregularidades sejam confirmadas ao final das investigações, o MPF poderá propor Ações Civis Públicas para interromper as vendas dos lotes, exigir a recuperação ambiental das áreas degradadas e buscar a responsabilização civil e criminal dos envolvidos.

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A reportagem buscou a Prefeitura de Prado para obter informações sobre o caso e saber se o município foi citado no processo. No entanto, nenhuma manifestação foi enviada. A matéria será atualizada conforme uma resposta seja enviada. 

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