Justiça
Publicado em 20/05/2025, às 16h05 Reprodução/Vídeo Cadastrado por Lorena Abreu
José Eduardo Franco dos Reis, conhecido como o juiz aposentado Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield, alegou à Justiça, através de seus advogados, que apresenta características que "coadunam para o diagnóstico de Transtorno de Personalidade Esquizóide (TPE)".
Reis é acusado de uso de documento falso e falsidade ideológica em três episódios recentes e apresentou resposta à acusação na ação penal em que é réu na Justiça de São Paulo. O magistrado aposentado também é acusado de outros três crimes que já prescreveram por serem mais antigos.
A defesa, ao apresentar laudo médico à Justiça, pediu "a instauração do incidente de insanidade mental". Em entrevista com o psiquiatra que assina o documento, Reis relatou paixão pela língua inglesa" e vontade de "renascer outra pessoa".
De acordo com informações do portal g1, os defensores também listam seis testemunhas de defesa, das quais cinco são identificadas como desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
José Eduardo Franco dos Reis foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) após viver com a identidade falsa por mais de 40 anos. Antes de se aposentar em 2018, durante o tempo em que atuou com identidade falsa, Reis assinou diversas sentenças, quando era titular da 35ª Vara Cível de São Paulo, no Fórum João Mendes.
Segundo a Promotoria, "Wickfield" enganou "quase a totalidade das instituições públicas" utilizando um nome fictício, inventado por ele. Por outro lado, ele manteve sua verdadeira identidade ativa. Ele tinha documentos válidos em nome de Wickfield e também em nome de Reis, como dois RGs, dois CPFs e dois títulos de eleitor.
Laudo médico
"Concluímos que José Eduardo apresenta características compatíveis com o diagnóstico de Transtorno de personalidade esquizóide, e que houve perda da capacidade de autodeterminação desde o momento da decisão pela mudança do nome até os dias atuais, embora mantivesse preservada a capacidade de entendimento em relação ao ato", diz a conclusão do laudo médico apresentado à Justiça pela defesa.
"No momento, há indicação de seguimento em psicoterapia semanal, sem necessidade de uso de medicações psicotrópicas e sem apresentar risco para si mesmo ou para terceiros", conclui o médico psiquiatra forense Gustavo Bonini Castellana.