Justiça

"STF não pode ser convertido em escudo protetor de desvios individuais", dispara Celso de Mello

Ex-ministro Celso de Mello foi um dos que assinou uma carta em conjunto sobre a crise instaurada no STF  |  Carlos Moura/SCO/STF

Publicado em 08/09/2026, às 12h21   Carlos Moura/SCO/STF   Bernardo Rego

Após ser divulgado um texto assinado em conjunto por ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal (STF) onde pedem celeridade e firmeza na apuração da crise enfrentada pelo Tribunal, o ex-presidente da Corte, Celso de Mello, também se manifestou sobre o atual momento e ressaltou que há um "sério desgaste da autoridade da Suprema Corte e grave declínio de respeitabilidade de uma das mais importantes e históricas instituições da República".

No texto, Mello diz ainda que o moção em conjunto não foi uma referência ao caso envolvendo André Mendonça e Alexandre de Moraes, mas a situação em geral onde o STF tem sido alvo de duras crítica por conta da sua atuação enquanto órgão máximo do Poder Judiciário.

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“Não nos referimos, na moção em causa, a qualquer episódio específico. O texto em questão guarda equidistância em relação aos casos (e eventos) que têm provocado perda da confiança social na integridade, imparcialidade e independência dos juízes do STF , sério desgaste da autoridade da Suprema Corte e grave declínio de respeitabilidade de uma das mais importantes e históricas instituições da República!", iniciou Celso de Mello.

"Ministros, quaisquer que sejam, devem impedir que eventuais condutas ilícitas — ou mesmo comportamentos eticamente censuráveis — projetem sobre o Supremo Tribunal Federal a sombra corrosiva da suspeita. Nenhuma autoridade está acima da lei, nem pode invocar a dignidade do cargo para subtrair-se ao escrutínio público", acrescentou.

O jurista que atuou por mais de 30 anos no STF também ressltou que "quem compromete a própria integridade fere também a confiança pública depositada na instituição", afirmou.

"O STF é maior do que todos e cada um de seus Ministros — e não pode ser convertido em escudo protetor de desvios individuais.A publicidade dos julgamentos, de outro lado, constitui garantia essencial da República e instrumento indispensável de controle democrático do poder", pontuou.

Celso de Mello esclareceu ainda que em situações como a atual não há espaço para "sombras, opacidade ou subtração de decisões ao escrutínio dos cidadãos."

"A Justiça exercida em nome do povo deve realizar-se sob os olhos do povo, pois o segredo injustificado alimenta a desconfiança, fragiliza a legitimidade das decisões e compromete a credibilidade do Poder Judiciário. A luz da publicidade não constrange a magistratura: protege-a, dignifica-a e recorda-lhe que, em uma democracia, nenhum poder é absoluto nem pode furtar-se à prestação pública de contas", concluiu o ex-ministro.

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