Política

Celso Amorim diz que com a chegada de Trump o Brasil tem o desafio de não virar colônia

Amorim analisa a postura de Trump em relação a líderes mundiais e o impacto no cenário político global  |  Antonio Cruz / Agência Brasil

Publicado em 23/03/2025, às 13h36   Antonio Cruz / Agência Brasil   Yuri Pastori

O ex-chanceler e assessor especial do presidente Lula (PT), Celso Amorim, afirmou em entrevista à jornalista Mônica Bergamo da Folha de São Paulo que o mundo passa por uma das maiores mudanças desde a queda do Muro de Berlim com a ascensão de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos.

"O nosso grande desafio é, nessa divisão do mundo, não ser colônia de ninguém", afirmou. Amorim acredita que Trump está desafiando a ordem mundial até então vigente e defende os interesses do seu próprio país. 

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"Trump respeita o poder. Pessoas que são capazes de agir. Ele acaba de dizer que gosta do Putin. E pode até não gostar, mas ele respeita o Putin. Respeita o Xi Jinping. Agora, se ficar lá querendo adular, como [fizeram] o Zelenski e alguns europeus, ele não respeita", disse.

Ele comentou também sobre a atuação das big techs no Brasil. "Elas estão mais ou menos entendendo que o jogo é complexo, que o Brasil não vai abrir mão de sua soberania. Se quiserem atuar aqui, têm que ser de acordo com as nossas regras, que não são arbitrárias. São para todos, são para proteger os cidadãos", continuou. Quando questionado se Trump poderia aderir à tese bolsonarista de que o Brasil vive sob uma ditadura judicial, Amorim foi categórico.

"O Bolsonaro ficou pequeno diante das grandes questões do mundo hoje. Há alguns anos, certamente ter um governo de extrema-direita no Brasil era importante. Hoje é um pouco diferente", disse.

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