Política
Publicado em 21/10/2026, às 06h00 Divulgação Anderson Ramos
A ECB - Empresa Construtora Brasil entrou para o noticiário político nesta semana depois que a empresária Roberta Luchsinger ter afirmado que o filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teria atuado para a empresa firmar contratos com o governo federal.
Em entrevista que foi ao ar na CNN Brasil no último final de semana, Luchsinger disse que o presidente da construtora, Amauri Rodrigues Pinha, é vizinho de Lulinha.
No ano passado, a ECB fechou contrato com a Petrobras para uma série de intervenções na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro. De acordo com a empresária, a ECB acumula contratos de R$ 2 bilhões no Brasil desde que Amauri Pinha assumiu a presidência do grupo.
Fundada em 1945, a ECB atua com obras de infraestrutura pesada, rodovias, ferrovias, saneamento, terraplenagem, pavimentação, além de projetos industriais e de óleo e gás e é considerada uma das maiores do setor. Em 2012, ela vendeu 50% de suas ações ao Grupo Mota-Engil, que, em 2025, adquiriu 100% da empresa.
A Mota-Engil, por sua vez, é uma companhia que tem como controladores a portuguesa Mota – Gestão e Participações, holding da família Mota, e a China Communications Construction Company (CCCC), grupo estatal chinês que integra o consórcio responsável pela construção da Ponte Salvador-Itaparica.
Além da ponte, a empreiteira está envolvida em algumas das obras de infraestrutura mais importantes da Bahia atualmente.
Em Salvador, ela integra o Consórcio Bahia Atlântico, junto com a espanhola OHLA e a baiana Meir, responsável pela construção do Trecho 3 do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) que vai ligar Águas Claras a Piatã. Este lote do novo modal de transporte terá 10 quilômetros, 9 paradas e integração com a Estação de Metrô do Bairro da Paz. A obra está orçada em R$ 791 milhões, com prazo de conclusão de 50 meses.
A Mota-Engil também faz parte do consórcio 116 Sertões, vencedor do leilão para administrar a Rota dos Sertões, corredor de 502 km entre a BR-116 e a BR-324.A rota liga Feira de Santana, a Salgueiro, em Pernambuco — sendo considerada estratégico do ponto de vista logístico e rodoviário.
As outras empresas que fazem parte da sociedade são a Galapagos Capital e a Neo Invest. Esta última é uma subsidiária do conglomerado empresarial baiano Novonor — que abandonou o nome Odebrecht após os escândalos da Lava-Jato.
O projeto prevê R$ 8,5 bilhões em investimentos ao longo dos 30 anos de contrato, sendo R$ 4,1 bilhões destinados diretamente a obras de ampliação e modernização da infraestrutura rodoviária.
A Mota-Engil negocia, desde o final de 2025, a aquisição da Bahia Mineração (Bamin). Existe a expectativa de que o negócio seja fechado ainda neste segundo semestre.
Caso a aquisição seja concluída, a Mota-Engil vai assumir três projetos estratégicos para o estado que estão nas mãos da Bamin:
Os projetos devem demandar investimentos na ordem de R$ 15 bilhões.
A gigante luso-chinesa ainda negocia a compra de 40% da construtora Odebrecht. O acordo ocorre após a empresa baiana deixar a recuperação judicial em março e faz parte do processo de reestruturação financeira do grupo.
A negociação marca um novo movimento da Odebrecht depois de encerrar seu processo de recuperação judicial. A entrada da Mota-Engil como sócia minoritária ocorre justamente no momento em que a construtora busca reorganizar suas finanças e retomar investimentos.
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